Andre Rieu completa 65 anos e faz shows em SP

Andre Rieu completa 65 anos e faz shows em SP

Maestro chega ao País com um novo disco, 'Love in Venice'

Jotabê Medeiros, O Estado de S. Paulo

03 de outubro de 2014 | 03h00

Espécie de Flautista de Hammelin da música clássica mais popular, o maestro, compositor e violinista superstar holandês Andre Rieu fez 65 anos na última quinta-feira e vai celebrar como de hábito: com uma multidão à sua frente aplaudindo. Ele faz 9 shows praticamente lotados (sobram poucos tickets) entre esta sexta-feira e o próximo dia 12, no Ginásio do Ibirapuera. Chega a bordo de um novo disco, Love in Venice, gravado com a sua Johann Strauss Orchestra (nas lojas a partir do dia 4).

Na última vez que André Léon Marie Nicolas Rieu veio ao Brasil, ele foi ao Domingão do Faustão e tocou Ai se Eu te Pego, do Michel Teló, hit que defende com unhas e dentes. "Eu não acredito nos conceitos de alta e baixa cultura. Essa música proporcionou alegria a milhões de pessoas ao redor do mundo. O que há de errado com isso? A música clássica, também, em seu início, também era entretenimento. Verdi, Mozart, Puccini, todos eles escreveram grandes hits em seu tempo, música que as pessoas cantavam nas ruas. Não só nas salas de concerto ou de ópera. Escreveram música não apenas para uma elite. Eu acredito em boa e má música, sim, ou melhor dizendo, música que tocam meu coração e a que não toca. Mas nós temos de ter muito cuidado hoje para não criticar mortalmente algo só porque é popular. Se você não gosta de Ai se eu Te Pego, não ouça. Mas se outras pessoas se divertem com ela, deixe-as se divertirem".

Um dos discos mais recentes de Rieu foi gravado com o repertório do grupo sueco ABBA, numa aventura que define como uma experiência - tinha a ver com o aniversário de 40 anos da canção Waterloo. Rieu ama as músicas The Winner Takes it All e Chiquitita. "Aqueles caras escreveram melodias lindas, muito únicas e que tinham um som especial", explica. "Mas é disco music, que não é o que eu costumo tocar e, tenho que admitir, não é onde meu coração está. Sou um romântico e estou mais envolvido com o projeto Love in Venice. Tocamos Volare, Azzurro, Mama, Ai Marie, Lagune Valse, Toselli Serenade e também 3 canções inéditas. Quando minha neta de 4 anos ouviu a Tarantella, ela berrou imediatamente: PIZZA!. Foi muito engraçado e um grande elogio: deve soar realmente como um som italiano", disse.


Essa facilidade com que Rieu se move em meio a repertórios de alta redundância e clichês musicais lhe rendeu milhões de fãs, assim como alguns bons detratores. Ele dá de ombros. Ele estudou violino clássico no Conservatoire Royal in Liège e no Conservatorium Maastricht, foi aluno de Herman Krebbers e André Gertler. Há quem o tenha como um "traidor" da música erudita.

"Eu não tenho pretensão de aumentar audiências para a música clássica, nem com meu flerte com o pop nem com os programas clássicos. Eu apenas amo fazer música e me divirto tocando todas aquelas melodias fantásticas que estão no mundo. Muita gente vem aos meus concertos que jamais iria a um concerto clássico 'tradicional' porque tem medo de não entender, ou porque pensa que é metido e chato. Nos meus concertos, eu convido a plateia a interagir, a gente se comunica, faz rir, dançar, festejar. Quero que tenham uma noite tão fantástica que nunca esqueçam. E se após tudo isso eles quiserem ouvir mais Strauss, Léhar, Verdi, mais musicais ou trilhas de filmes, ótimo!".

A popularidade do violinista é atestada pela facilidade com que se insere em todo o complexo pop. Recentemente, ele foi capa de uma revista do Pato Donald especial. É uma história em que seu violino Stradivarius é roubado pouco antes de seu concerto. Ele não teme que algo similar aconteça com seu Stradivarius de 1732 por dois motivos: tem um bom seguro e porque há um guarda-costas que carrega o instrumento para ele. "É muito pesado", afirma.

Ele já virou um fenômeno também no Brasil, no qual virou hábito lotar dezenas de shows sem muito esforço. Diz que o segredo do bom relacionamento é a vibração da plateia. "Sou uma pessoa apaixonada e gosto de pessoas que são apaixonadas. Porque sem paixão, seja pela música, pelo futebol, pelas mulheres, pelos carros, não seriam nossas vidas tristes e chatas?".

Avesso à política, não dá declarações bombásticas sobre o assunto. "Apenas acho muito triste duas pessoas não poderem viver em paz. Eu admiro muito Daniel Barenboim e seu trabalho com a West-Eastern Divan Orchestra. Jovens de Israel tocam junto com músicos do Egito, Síria, Líbano, palestinos, e é maravilhoso. No momento, tenho na minha orquestra um solista da Ucrânia tocando com três músicos da Rússia em meus concertos. Isso prova que a música pode manter as pessoas juntas, unidas".

Ele lamentou as mortes dos colegas maestros Frank Shipway e Lorin Maazel. "Não os conheci pessoalmente, mas é claro que conheci sua arte. Ambos eram personalidades dinâmicas e fascinantes e dois grandes artistas. Suas mortes são uma grande perda para o mundo da música".

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