Wesley Allen/ Rock in Rio
Wesley Allen/ Rock in Rio

Anavitória traz ternura e leveza para show em São Paulo

Dupla é atração principal do Nômade Festival, que acontece no sábado, 12

Julliana Martins, Especial para O Estado

12 de outubro de 2019 | 10h59

De Araguaína, no interior do Tocantins, para São Paulo. Depois, para o mundo. Foi mais ou menos assim que as amigas Ana Clara Caetano e Vitória Falcão tornaram-se Anavitória. Transbordando versos românticos e melodias doces, uma semana depois de se apresentar no Rock in Rio, a dupla retorna à cidade em que mora como atração principal do Nômade Festival no sábado, 12. A promessa de repertório inclui sucessos do álbum mais recente O Tempo É Agora, além de uma mistura das canções mais antigas.

São apenas seis anos de carreira - três da explosão no cenário musical nacional -, mas a dupla já levou pra casa um Grammy Latino de melhor canção em língua portuguesa com o sucesso Trevo (Tu), um disco de ouro pela venda de 40 mil cópias do primeiro álbum, lançou um longa-metragem inspirado na história delas e coleciona parcerias com grandes nomes da música brasileira, tendo feito até uma mini turnê pelo Brasil com Nando Reis

De ritmo sereno e letras românticas, as cantoras e compositoras trazem melodias que se aproximam de um estilo folk pop - mas já não se definem como o “pop rural” que nomeava o estilo no início da carreira. Esse nome, segundo Ana, veio de uma necessidade de classificar o trabalho, o que já não existe mais. “Tínhamos acabado de chegar na bagunça da cidade grande e fazia muito sentido se colocar nessa caixinha. Hoje não temos mais essa vontade de nomear nosso som. A gente é da canção. Música é só música mesmo”, diz.

A dupla foi formada em 2013, mas o boom aconteceu em 2016, depois de serem descobertas pelo produtor artístico Felipe Simas, que é empresário das meninas desde então. O álbum de estreia, Anavitória, foi gravado pela Universal Music e emplacou canções em diferentes novelas, além de colocá-las no Top 50 do Spotify Brasil. Em um dia, a canção Singular chegou a mais de um milhão de visualizações no YouTube, em 2015. A partir daí, Ana e Vitória entraram com os pés direitos na indústria fonográfica do País, conquistando rápido o gosto do público jovem e lotando as casas de shows..

Hoje, elas já somam 1,8 milhão de seguidores no Instagram. E não é só a leveza das vozes e a ternura dos versos que chamam a atenção, mas também o jeito que elas depositam suas essências e autenticidade em cada detalhe das apresentações - o que se reflete nos figurinos, que costumam oscilar entre o preto e o branco, ou até mesmo no fato de cantarem com os pés descalços. 

“A nossa busca é pelo equilíbrio das coisas, mas em algum lugar todo mundo tem vaidade, isso é inerente ao ser humano. Não fugimos dessa regra por conta da roupa simples ou da pouca maquiagem. É só o jeito que a gente melhor se reconhece e se sente mais confortável e mais bonita”, afirma Ana.

Tal desprendimento dos padrões de mega produções usualmente exigidos pela fama aparece também em forma de discurso - normalmente com uma pitada de discussão sobre questões ambientais e empoderamento feminino. Pensar em maneiras de reduzir danos faz parte do cotidiano delas, conta Vitória. “Tentamos respeitar o universo, a natureza, que é também a gente. Toda ação de partilhar o que você acredita com o outro, movimenta o mundo.Tudo que passa pelo nosso coração e sai pela nossa boca encontra o outro e transforma. A gente segue fiel ao que a gente acredita e quem vier junto, bora somar!”, afirma.

Anavitória subiu ao Palco Sunset do Rock in Rio 2019 no domingo, 5, junto com Saulo - parceria da canção Clareiamô. No mesmo dia em que Anitta, Ludmilla, a banda Funk Orquestra, Projota e Charlie Puth se apresentaram no festival, as duas amigas fizeram soprar o coro da plateia a cada canção, como na clássica Trevo (Tu) e nas mais recentes Ai, Amor e Outrória. O show contou ainda com uma comemoração pelo aniversário de Ana Caetano, além da participação surpresa de Vitor Kley, com quem foi gravada a última canção lançada pela dupla, Pupila.

“Cantar com Saulo é uma dádiva, já tínhamos feito uma parceria e cantamos juntos num show nosso em Salvador, mas preparar um show pra esse festival foi incrível, mágico e cheio de amor. Foram dias intensos e no palco não foi diferente, por isso todo mundo se sentiu e cantou junto!”, relembra Vitória.

É difícil prever se o restinho de ano vai trazer um novo álbum ou parceria, já que Vitória reafirma a tendência de viver um momento de cada vez, como retratado em O Tempo É Agora - último disco lançado pela dupla e que veio de surpresa para os fãs. ”O que ainda não foi não é. Quem acompanha nosso trabalho já tá acostumado com nossas entregas. A gente vive nosso tempo dia de cada vez, e por hora tamo (sic) fazendo um monte de shows lindos”, diz.

Mas se por enquanto o foco está em cada apresentação, o retorno a São Paulo para participar do Nômade Festival tem uma carga emocional especial para a dupla. “É muito forte cantar em Sampa por ser o lugar que escolhemos para ser casa e o lugar onde nossa história juntas começou. Vai ser uma onda!” anima Ana. 

O Nômade Festival acontece no sábado, 12, e vai reunir, além de Anavitória, as cantoras Maria Gadú, Liniker e os Caramelows, Luedji Luna e os cantores Johnny Hooker e Arnaldo Antunes. Confira aqui a programação completa!

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