LEONARDO BENASSATTO/FUTURA PRESS
LEONARDO BENASSATTO/FUTURA PRESS

Análise: Renato e Seus Blue Caps mostraram a força de uma versão

Cantor e guitarrista Renato Barros, morto aos 76 anos, se notabilizou na era das traduções livres do rock and roll dos anos 60, com músicas como 'Menina Linda' ('I Should Have Known Better') e 'Até o Fim' ('You Won't See Me')

O Estado de S.Paulo, O Estado de S.Paulo

28 de julho de 2020 | 15h44

Se não fosse o cantor e guitarrista Renato Barros, líder do grupo Renato e Seus Blue Caps, morto nesta terça, aos 76 anos, muitas pessoas não conheceriam nomes importantes do rock, como os próprios Beatles. Parece exagero, mas sim, Renato conseguiu levar os sucessos dos anos 1960 a um público enorme e de vários estratos sociais em uma época em que eles os LPs demoravam a chegar ao Brasil. Por isso se toranam tão importantes canções como Não Te Esquecerei, uma versão de California Dreaming, do The Mamas & The Papas, Menina Linda, versão de I Should Have Known Better, Até o Fim, de You Won't See Me, e Tudo O Que Sonhei, ou If I Fell, todas dos Beatles, além de Escândalo, versão de Shame And Scandal In The Family.

Sua história começa na época da Jovem Guarda, mas ele seguia ativo com shows. Sua filha, Érika Barros, confirmou a notícia da morte. Renato havia sido operado há uma semana para corrigir um problema cardíaco. Houve complicações no procedimento cirúrgico que levou sete horas e seu estado se agravou, com uma sequência de problemas pulmonares logo em seguida.

Erika esceveu sobre o pai: “O problema é saber o que fazer com a saudade... Agora definitivamente meu pai é uma estrela e eu tenho certeza que estará olhando sempre por mim, minha irmã e suas netas. Vai ser difícil acostumar ficar sem você, pai. Mas Deus sabe de todas as coisas. Te amo muito, você foi o melhor pai do mundo.”

O grupo Renato e seus Blue Caps, formado no Rio de Janeiro em 1960 pelos irmãos Renato Barros, Ed Wilson e Paulo César Barros, e mais Euclides de Paula e Gelson, com um primeiro nome de Bacaninhas do Rock da Piedade. A mudança de nome foi inspirada no conjunto que acompanhava o astro do rockabilly, Gene Vincent, que se apresentava como Gene Vincent and His Blue Caps. Eles passaram a se apresentar no circuito de programas de TV como Os Brotos Comandam, da TV Rio, e chegaram a lançar o primeiro compacto em 1962. Poucos sabem também que houve ainda uma passagem curta pelo grupo de Erasmo Carlos, em 1963, substituindo Ed Wilson. Em 1966 a banda apareceu nos  filmes Na onda do iê-iê-iê e Rio, Verão & Amor.

 

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