Análise: Palavras foram o habitat natural de Renato Russo

Estado atual do mundo seria prato cheio para a infinita inspiração do poeta da Legião, dentro ou fora da cena musical

Guilherme Sobota, O Estado de S. Paulo

27 de março de 2020 | 05h00

Foi outra epidemia que levou a vida de Renato Russo, em 1996, mas nesta sexta, 27, são lembrados os 60 anos de nascimento do cantor, compositor, músico, desenhista e roteirista, o mais brasiliense entre os artistas cariocas (pois ele nasceu no Rio).

Professor de inglês, locutor de rádio, portador da epifisiólise, uma doença óssea, admirador confesso de Jean-Jacques Rousseau e Bertrand Russell (de onde tirou seu sobrenome artístico), intelectual: Renato Russo foi tudo isso também. 

Morto em 11 de outubro de 1996, foi apenas recentemente que sua obra e seu legado começaram a ocupar, novamente, as páginas dos jornais, com exposições e livros inéditos, tudo com organização do seu filho e herdeiro, Giuliano Manfredini.

O rock oitentista brasileiro, do qual Russo conflituosamente fazia parte, ainda precisa de uma análise de fôlego, mas não é segredo que muitos companheiros de geração enveredaram por caminhos bem mais conservadores do que propunham suas canções de protesto na reabertura política do País. 

Não é justo especular o que Renato Russo estaria pensando, fazendo e discutindo sobre o Brasil atual e sobre os ocupantes de certos cargos em Brasília, mas é certo que a força material de suas letras sobrevive às ranhuras que o rock abriu na própria carne.

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