REUTERS/Dylan Martinez/File Photo
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Análise: O hip hop renova sua força criativa a cada ano que passa

Lançamentos de Kanye West, A Tribe Called Quest e os inéditos de Sabotage escreveram a história em 2016

Guilherme Sobota, O Estado de S. Paulo

03 de dezembro de 2016 | 05h00

O ano de 2016 foi complicado em bem mais de um aspecto, mas trouxe grandes lançamentos do hip hop no mundo todo – como 2015 também havia testemunhado.

O mais discutido deles foi certamente The Life of Pablo, o sétimo álbum de estúdio de Kanye West. O rapper de Chicago virou uma mega celebridade de tabloides ao se casar com Kim Kardashian em 2014, e por isso a cobertura de suas despontadas artísticas ganhou uma tinta sensacionalista nos últimos anos – em última instância, lhe rendeu uma semana de hospital agora em novembro. Mas Pablo foi aclamado pela crítica e adorado pelo público, com justiça: no meio dos rompantes egoístas de Kanye, há reflexões afiadas sobre amor e perdão, embaladas numa produção absurdamente interconectada.

O Brasil viu as rimas inéditas do saudoso Sabotage (1973-2003) virem à luz na produção impecável do Instituto – que em 2015 havia lançado o intenso disco Violar –, que não deve em nada para as mais caras do mundo. Rashid e Brisa Flow também brilharam por aqui.

O hip hop também emplacou o artista mais popular do Spotify em todo o mundo: o rapper canadense Drake – que mantém uma relação promíscua com o pop mais ralo, é verdade – acumulou 4,7 bilhões de streams na plataforma, muito por conta de seu novo disco Views. 18 anos depois o lendário grupo de Nova York A Tribe Called Quest lançou não apenas um álbum de “retorno e despedida”, mas um dos grandes discos do ano em qualquer gênero – bem como seus contemporâneos do De La Soul. Entre os mais jovens na América, vale a pena conferir Noname, Denzel Curry e Anderson .Paak – este flerta com um R&B, neo-soul contemporâneo, capitaneado por Frank Ocean e Childish Gambino (o novo Awaken My Love chegou nesta sexta!), das sonoridades mais interessantes de 2016.

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