NILTON FUKUDA/ESTADÃO
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Análise: O fascinante início da relação entre um músico e sua arte

Como surgem prodígios? Eles próprios costumam ser reticentes a esse respeito

João Luiz Sampaio, Especial para O Estado de S. Paulo

23 de julho de 2017 | 04h00

Desde que Leopold Mozart arrastou o pequeno Wolfgang pela Europa, prodígios são parte fundamental do imaginário em torno da música clássica. 

Disciplina, estudo, talento, tudo isso talvez explique o fenômeno, mas há algo de imponderável em uma criança que, com poucos anos de idade, é capaz de passear por um repertório que a maior parte dos músicos leva anos, talvez décadas, para dominar. 

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Daniel Barenboim fez sua estreia aos 7 anos na Argentina e, com 12, já tocava como solista na Europa, sob a regência de Wilhelm Furtwängler. Lorin Maazel regeu uma orquestra pela primeira vez aos 8, mesma idade de Martha Argerich em seu primeiro recital. Evgeny Kissin tinha 10. Lang Lang ganhou seu primeiro concurso com 5 e era um adolescente, quando deixou a China para conquistar o Ocidente – e fechar seu primeiro contrato exclusivo de gravação com um grande selo.

Como surgem prodígios? Eles próprios costumam ser reticentes a esse respeito. Quando fala de sua infância, Kissin é bem conciso: “A música era apenas parte de uma infância feliz”. Em suas memórias, Barenboim escreve: “Meu pai e minha mãe eram pianistas e eu cresci achando que todo mundo tocava piano”. Para cada caso, enfim, uma história. O pai de Lang Lang, por exemplo, chegou a entregar-lhe um frasco de remédios para que tirasse a própria vida após o mal desempenho em um concurso.

O fato é que prodígios crescem (alguns fingem que não). E, em algum momento, o virtuosismo precisa dar lugar – ou melhor, se combinar – com uma compreensão musical que, no final das contas, é a marca do grande intérprete. O que não tira o fascínio de se contemplar, até lá, o imponderável – e de se testemunhar o início de uma relação entre um músico e sua arte. 

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