Interscope Records/AP
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Análise: Novo disco do Maroon 5 mostra que a banda caiu em uma zona de conforto perigosa

'Red Pill Blues', lançado nesta sexta-feira, 3, usa e abusa de um pop dançante e eletrônico que grupo já fazia há algum tempo

João Paulo Carvalho, O Estado de S.Paulo

03 de novembro de 2017 | 17h13

A expectativa era alta para o novo álbum do Maroon 5. O sexto disco de estúdio de Adam Levine e sua trupe, que foi lançado nesta sexta-feira, 3, entretanto, não mostrou a que veio. O que se vê em Red Pill Blues é justamente uma fórmula batida e desgastada. As faixas do álbum são mais do mesmo pop eletrônico e dançante feito por eles desde It Won't Be Soon Before Long (2007), Hands All Over (2010), Overexposed (2012) e V (2014). Muito longe de ser um trabalho ruim, o que falta é justamente originalidade. Ninguém duvida da criatividade do Maroon 5, banda que lotou a Cidade do Rock com duas apresentações de gala no Rock in Rio deste ano. Esperava-se, todavia, um pouco mais de ousadia.

Há algumas semanas, Red Pill Blues já veio ao mundo causando muita polêmica. Tudo porque o nome do trabalho é exatamente o mesmo escolhido por um grupo que defende os "direitos dos homens" nos Estados Unidos. Alguns fãs começaram a questionar a banda nas redes sociais sobre a escolha controversa. O Maroon 5 precisou vir a público para explicar que a inspiração não tinha nenhuma origem no preconceito contra as mulheres.

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"O título faz referência a um termo popularizado nos filmes Matrix. Nunca foi intenção da banda referenciar qualquer outra coisa. A banda está chocada de que essa polêmica tenha aparecido", respondeu o grupo, esclarecendo a confusão, em reportagem do site Death and Taxes.

Polêmicas à parte, falta emoção ao Red Pill Blues, ainda que single pegajoso What Lovers Do, com a cantora SZA, seja um pop vibrante e para cima. É difícil tirar a música da cabeça, inclusive. Com acordes simples e batidas grudentas, What Lovers Do é o tipo de música que demora dias para sair da sua mente.

Muitas são as participações especiais em Red Pill Blues. De Kendrick Lamar (Don't Wanna Know), passando por A$AP Rocky (Whiskey), o rapper Future (Cold) e a cantora norte-americana Julia Michaels (Help Me Out). Isso, em princípio, pode parecer muito mais uma junção de parcerias descoladas do que um álbum, de fato, coeso e com uma proposta sonora diversificada. 

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O que não dá para negar é que Levine sabe de cor a receita de um hit. Red Pill Blues será sucesso, sem sombra de dúvida. Afinal de contas, ele foi todo pensado para isso. Who I am, Denim Jacket, Don't Wanna Know e a própria What Lovers Do estão aí para comprovar tal pensata.  O que se questiona, no entanto, é se essa produção exacerbada e extravagante camufla a verdadeira essência da banda. O Maroon 5 fez uma escolha difícil. Voltou sua sonoridade, que já era pop, para um dance ainda mais eletrônico e milimetricamente bem produzido, que coloca em discussão uma coisa: há mesmo uma banda ali?

 

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