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Análise: no Rock in Rio, reciclagem de atrações pode ter efeito a médio prazo

Festival completa 30 anos em 2015

Pedro Antunes, O Estado de S. Paulo

16 de setembro de 2015 | 05h00

Os números desta edição do Rock in Rio acendem algumas luzes de emergência: 13 atrações repetidas, com relação às edições anteriores. Vamos de nomes desde o Queen, que não aparece por aqui desde as históricas performances de 1985, até Katy Perry, Rihanna, System of a Down, atrações presentes na Cidade do Rock em 2011 – não é preciso citar o Metallica e sua carteirinha de afiliação ao festival. 

A repetição e falta de inovação do line-up do Rock in Rio sempre são lembradas pela crítica, principalmente após o festival se tornar bienal, a partir do retorno ao Rio de Janeiro, em 2011. A realidade, contudo, é que o Rock in Rio nunca foi feito para a crítica. A curadoria da família Medina, com seus números e pesquisas, aponta as apostas seguras, nomes gigantes da música que certamente levarão as tais 85 mil pessoas a peregrinarem até a Cidade do Rock, na Barra da Tijuca. Cobra-se inovação, criatividade, novidades. Recebe-se o oposto de tudo isso. 

Mesmo assim, todos os sete dias de festival, ou seja, 595 mil ingressos disponíveis, são vendidos e o Rock in Rio é um grande sucesso de público. Aí, sim, chegamos ao foco do evento carioca que completa 30 anos. Enquanto outros festivais como o gringo e agora paulistano Lollapalooza há espaço para o novo e uma curadoria que busca encontrar boas bandas mesmo antes de elas se tornarem famosas, o RIR escolhe o certeiro. Vai direto no seu público – que não somos nós. Lolla é indie na sua raiz. Rock in Rio é popular. E ponto. 

A fórmula ia bem, aliás. As edições de 2011 e 2013 tiveram seus ingressos esgotados em poucas horas. Algo mudou, contudo. O Rock in Rio 2015 só conseguiu ostentar o título de “sold out” depois de quatro dias de vendas abertas. Medina diz que o sistema de venda de ingresso apresentou defeito e, por isso, a demora no esgotamento. 

A culpa pode ser da crise, claro, em diferentes pontos da gigante cadeia comercial que é um Rock in Rio. A justificativa para a demora, ou pelo “buzz” criado em torno do festival, pode estar nos ingressos mais caros, que subiram de R$ 260 para R$ 350, uma correção acima da inflação, um tanto mais salgado para o brasileiro fã de música. Mas pode estar na escolha das atrações. 

É bom que, em dois anos, se descubra que era um problema de bolso. E não a falta de renovação de line-up. Slipknot e System of a Down, figurinhas repetidas, já passaram pela Cidade do Rock, mas nunca como principais atrações da noite. Mereciam a posição? E o que dizer de Rihanna, Katy Perry e Elton John, destaques de três dias de 2015, que já engrossaram a programação uma só noite em 2011. Se é um festival para o público, o Rock in Rio não pode esquecer de dialogar com ele. É um caminho perigoso. 

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