Steven Klein
Steven Klein

Análise: No disco 'Madame X', Madonna volta multifacetada e experimental

O lançamento mundial está marcado para sexta-feira, 14; os próximos meses dirão se sua ousada estratégia deu certo

Gabriel Pinheiro, O Estado de S.Paulo

12 de junho de 2019 | 03h00

No jogo do pop, Madonna nunca ficou no mesmo lugar. As regras mudaram: quando a jovem cantora de Like a Virgin emplacou seu primeiro número 1 nas paradas, em 1984, ela tinha tempo suficiente para trabalhar uma música por vez, uma apresentação por semana, uma polêmica por disco. Hoje, 35 anos depois, as novidades surgem e somem das listas de streaming com a mesma velocidade. O time de Madonna parece ter entendido o recado.

Em menos de três meses, cinco singles de Madame X foram lançados: já conhecemos o reggaeton de Medellín, a politização de I Rise, o R&B de Crave, a questionadora Future e a densa Dark Ballet. A cantora, que mora em Portugal desde 2017, mergulhou em um verdadeiro caldeirão de influências para criar seu 14.º álbum de estúdio.

O motivo da mudança, segundo ela, foi a paixão de seu filho David Banda pelo futebol. Aos 13 anos, o jovem já tem um contrato com o Benfica, um dos principais times do futebol europeu. “Fiz o meu melhor para encontrar as melhores escolas com os melhores treinadores, mas a América é atrasada neste campo em comparação com o resto do mundo”, justificou Madonna em entrevista à Vogue italiana.

Uma vez em terras lusitanas, ela teve encontros com produtores e músicos locais e começou o processo de gravação de seu novo álbum. Desde então, dividiu-se entre gravações na capital Lisboa, Londres, Los Angeles e Nova York. O resultado disso é um disco que se mostra como um dos menos coesos e mais experimentais de sua vasta discografia. Esqueça o pop eletrônico de MDNA (2012) e o hermético Rebel Heart (2015).

Sob sua nova persona (“Madame X é uma agente secreta, uma instrutora de chá chá chá, uma professora, uma mãe, uma chefe de Estado, uma cantora de cabaré, uma santa, uma prostituta”), Madonna foi do pop latino com Maluma no carro-chefe Medellín ao inusitado funk Faz Gostoso com Anitta – que, ao contrário do que parece, não é – funk carioca mas sim português, lançado originalmente pela cantora luso-brasileira Blaya em 2018.

Para atacar o mercado norte-americano, em maio ela lançou Crave, em parceria com o rapper Swae Lee. Sem perder tempo, no último dia 7 a escolha para single foi Dark Ballet, um pop orquestrado com muitos efeitos de Auto-Tune à la Daft Punk, sob medida para os mercados europeus.

Em alguns momentos, a impressão que fica é de que a cantora está atirando para todos os lados. Ninguém pode negar, porém, que a multifacetada Madame X ainda tem muito a dizer. O lançamento mundial está marcado para a próxima sexta-feira, 14. Os próximos meses dirão se sua ousada estratégia deu certo.

 

 

Tudo o que sabemos sobre:
Madonna

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.