Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Análise: 'Losermanização' das canções de Mallu Magalhães fez muito bem à cantora

Composições do novo disco mostram a evolução de uma artista que parecia fadada ao esquecimento de sua essência pouco carismática e sem sal

João Paulo Carvalho, O Estado de S.Paulo

27 de junho de 2017 | 05h00

Esqueça de uma vez por todas aquela garotinha de voz doce e irritante que cantarolava os versos inexpressivos de Tchubaruba. Mallu Magalhães, que explodiu na internet em meados de 2007, cresceu. Em Vem, a cantora, radicada há anos em Portugal, externa maturidade. O jeito desengonçado e infantil de expressar sua arte deu lugar a uma artista de voz consistente. Se em Pitanga (2011), Mallu já esboçava sinais de melhoras, em Vem, que acaba de ser lançado, ela ratifica tal argumento com músicas de qualidade. Vai e Vem e Culpa do Amor mostram a evolução de uma artista que parecia fadada ao esquecimento de sua essência pouco carismática e sem sal. 

O que mais surpreende nessa atual fase de Mallu Magalhães é seu lado compositora. Todas as letras de Vem são, assustadoramente, bem escritas. O mesmo vale para os arranjos, que são executados de maneira consistente. Até mesmo em Love You, única faixa escrita em inglês, Mallu dribla o óbvio e flerta com a riqueza literária, antes inimagináveis para aquela adolescente recém-saída do colegial.

A produção do marido Marcelo Camelo, da banda Los Hermanos, fez toda a diferença nesse novo trabalho de Mallu Magalhães. A chamada 'losermanização' das músicas fez bem a ela, que parece ter finalmente encontrado seu caminho. Aquele sambinha indie, com pouco suingue e força, mas recheado de qualidade sonora, revigoraram Mallu, que parece cada vez mais disposta a trilhar tal segmento.

Resta saber o quanto ela está preparada para bancar esse novo disco nos palcos. Sua voz, claramente com um baixo alcance, pode não suportar tamanha aventura. Isso, todavia, fica para uma avaliação futura. 

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