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Análise: Larry Coryell ajudou a transportar o jazz a outras fronteiras

Conhecido como pai do fusion, guitarrista morto neste domingo (19), aos 73 anos, colocou o rock psicodélico para dançar na mesma pista que o jazz

Julio Maria, O Estado de S.Paulo

21 Fevereiro 2017 | 19h18

O guitarrista de jazz Larry Coryell, morto neste domingo (19), aos 73 anos, fez o que pouca gente fazia naquela abertura de anos 1970. Em um mundo que já havia se tornado lisérgico demais para manter as tradições, ele apanhou a fúria do rock and roll e a liberdade do jazz para criar uma das expressões mais corrosivas da música contemporânea. Sua guitarra era feroz, ágil, tensa. Seu fraseado era formado por longas respirações e sua música habitava a fronteira sem muro. Era jazz e era rock, muitas vezes, ambos psicodélicos.

Um bom recorte de sua obra é o grupo Eleventh House, que formou entre 1973 e 1976, três anos suficientes para ser colocado ao lado da Mahavishnu Orchestra e do Return to Forever como elaboradores da nova linguagem da década. Sua música surge aí como uma espécie de reação à avassaladora era em que o rock and roll rompia outras fronteiras, partindo para um vale tudo lisérgico que preparava a chegada de versões mais pesadas e bem trabalhadas do que nos anos 60. O jazz também queria o peso e o voo.

Uma apresentação das mais incendiárias foi feita pelo Eleventh House em 1975, nos estúdios da norueguesa NRK TV. A ótima qualidade de imagem, mesmo em preto e branco, conserva Larry em uma de suas mais ilustres performances, ao lado de um grupo com o trompetista Michaee Lawrence, o baterista Alphonse Mouzon, o baixista John Lee e o tecladista Mike Mandel. Os que quiserem conhecer algo de Larry, uma boa pedida é assistir a esse concerto, hoje já disponível no YouTube. 

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