Tiago Queiroz / Estadão
Tiago Queiroz / Estadão

Análise: Cachorro Grande se perde em raves inglesas em novo disco

Álbum 'electromod' é o oitavo da banda

Pedro Antunes, O Estado de S. Paulo

03 de agosto de 2016 | 05h00

Dê o play. Ficou confuso? Aperte o botão para pausar, volte para o começo. Repita a operação quantas vezes sentir necessário. Pode ser uma, duas, três, quatro. Quem aqui escreve o fez por nove vezes. Enfim, electromod bateu. Ou, pelo menos, fez sentido dentro da proposta. O oitavo álbum dos cachorros desprende-se daquilo que propõem há quase 20 anos. O rock pode até estar ali, mas as camadas de sintetizadores, efeitos, barulhinhos, trecos e truques de estúdio escondem qualquer organicidade que se espera de um grupo que veste jaquetas de couro – ou o visual mod de boinas como as usadas pelo quinteto entre os tantos vislumbres pelo Baixo Augusta. 

Cachorro Grande deixa o rock de lado, insiste na sonoridade 'sintética' e lança 'electromod'

Romperam com aquilo que propuseram no rompedor trabalho Costa do Marfim, de 2014. Ali, já sob o comando de Edu K na produção, partiram para viagens fora da caixinha do rock – psicodélica, diriam alguns. eletromod é um filho bastardo de Scremadelica, do Primal Scream, álbum cuja fusão entre o acid house e o rock beira a perfeição, e do esquizofrênico 48:13, recente disco do Kasabian. 

Toda e qualquer atitude para se desprender de qualquer estética já é, por si só, louvável. E o Cachorro vai para onde ninguém poderia esperar. A banda, por vezes, soa num flerte com o eletrônico genérico, com letras dispensáveis e rimas frágeis: em Arpoador, por exemplo, Beto Bruno rima “procurar” com “lugar” com “dançar” e “encontrar”. Quando os cinco entendem que não precisam ocupar o mesmo espaço o tempo todo, como em Nem Tudo É Como Antes, emprestada do som do LCD Soundystem, as coisas funcionam. O Cachorro Grande poderia ter ido longe com electromod – há espaço para isso –, mas deixaram o trabalho de escutar, parar e voltar para o público. A repetição deveria vir do lado de lá. 

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