Ana Cristina Leme/Estadão
Ana Cristina Leme/Estadão

Análise: Belchior tinha, na sua síntese artística, a capacidade de olhar

Cantor encarara o mundo e o filtrava, fosse como uma figura distante, fosse como algo que lhe era próximo

Pedro Antunes, O Estado de S.Paulo

30 Abril 2017 | 13h36

Belchior tinha, na sua síntese artística, a capacidade de olhar. Encarar o mundo e filtrá-lo, fosse como uma figura distante, fosse como algo que lhe era próximo. Com Alucinação, o disco de 1976, ele dava sua última cartada. 

Cursou filosofia e, poeta, cantor e compositor, ligou-se a outros músicos cearenses, como Fagner. Depois de vencer o Festival de Tupi, em 1971,  com a música Na Hora do Almoço, lançou um compacto com a canção, mas o trabalho não aconteceu. 

Elis Regina descobriu o jovem cantor e compositor e gravou Mucuripe, uma parceria dele com Fagner. Belchior lançou o primeiro disco, mas o álbum também não foi ouvido. Elis, ela novamente, cantou Como Nossos Pais e Velha Roupa Colorida, ambas de autoria dele, no show Falso Brilhante, em 1975. Belchior, enfim, teve sua chance. 

Antônio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernandes voltou para o estúdio, sob a tutela do produtor Marco Mazolla. Registrou as duas músicas cantadas por Elis, Como Nossos Pais e Velha Roupa Colorida, e incluiu outras compositores que viriam a se tornar clássicos, Apenas Um Rapaz Latino AmericanoA Palo SecoFotografia 3X4, Sujeito de Sorte, Antes do Fim. 

Alucinação foi um marco gravado em três dias. Belchior surgiu para o grande público, passou a fazer participações em programas de TV. Virou um pop star. A carreira, contudo, não seguiu como ele planejava. Morreu desaparecido e distante do público que, até hoje, idolatra o álbum lançado há 41 anos. 

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