Análise: A doce interpretação de Fernanda Takai cai como uma luva em seu novo disco de bossa

Análise: A doce interpretação de Fernanda Takai cai como uma luva em seu novo disco de bossa

'O Tom da Takai' traz 13 composições de Tom Jobim e será lançado no dia 1º de junho

Adriana Del Ré, O Estado de S.Paulo

23 Maio 2018 | 06h01

Fernanda Takai é uma intérprete versátil. Sua voz não está restrita a um gênero ou a um estilo em especial. Está a serviço da música. E ponto. Apesar da carreira consolidada à frente de sua banda de rock, Pato Fu, Takai já transitou também do pop e da MPB à bossa nova. Aliás, a bossa ocupa lugar especial em sua carreira solo, como no disco Onde Brilhem os Olhos Seus (2007), em homenagem a Nara Leão, e no álbum Fundamental (2012), que lançou com Andy Summers, guitarrista do Police. Não à toa: a voz doce de Takai cai como uma luva na bossa – ou seria ao contrário? 

Agora, no disco O Tom da Takai, a cantora retorna à cena bossa-novística e, em um gênero já tão revisitado ao longo de seus 60 anos de história, busca um novo recorte, um novo olhar.

Em parceria com os produtores Roberto Menescal e Marcos Valle, dois nomes importantes da bossa em diferentes fases, ela foi à obra de Tom Jobim nos primórdios de sua carreira, e de lá trouxe de Ai Quem Me Dera (parceria com Marino Pinto), de letra ingênua, graciosa – cantada aqui em dueto por Takai e Menescal – a clássicas como Outra Vez e Fotografia, ambas só de Tom Jobim, e Estrada do Sol (dele e Dolores Duran). Talvez por causa da presença de Menescal e Valle no trabalho, percebe-se uma fidelidade aos códigos da bossa, sem subvertê-los. 

+++ Fernanda Takai, do Pato Fu, lança álbum com músicas de Tom Jobim

A canção Bonita (de Jobim / versão de Ray Gilbert / Gene Lees), em inglês, abre o álbum. Uma introdução apenas de voz, de Takai, e violão, de Menescal, e, logo em seguida, a música ‘cresce’ com a entrada de baixo, piano e bateria. Nela, o piano solo de Marcos Valle é um daqueles momentos que merecem a audição mais atenta. Assim como todo o disco. 

Em Olha Pro Céu (só de Jobim), a doçura de Fernanda Takai a cantar sobre “o céu infinito que existe em teus olhos” vem embalada pela marcante presença do baixo de Alberto Continentino. Em Só Saudade (dele e Newton Mendonça), outro clássico tom-jobiniano, Takai reforça o sofrimento da letra em um canto que beira a dor. Em Samba Torto (parceria com Aloysio de Oliveira), o tom da interpretação sobe um pouco, na sintonia de quem o coração bate mais forte por causa do amor. 

O Tom da Takai é um álbum de superlativos: um grande repertório do maestro soberano, com arranjos sofisticados, um virtuoso time de músicos e uma cantora que não precisa esbanjar agudos para ser uma intérprete impecável. 

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