Ana Carolina ganha dois troféus no Prêmio Multishow

A 13.ª edição do Prêmio Multishow de Música Brasileira teve o sucesso esperado de público, figurinos (quase todos comportados), discursos (idem) e até no tempo de duração: duas horas exatas, de 22 horas de terça-feira, até 0 hora. A platéia não arredou o pé do Theatro Municipal e colaborou: gritou pelos ídolos nos momentos exatos e só se levantou nos intervalos determinados pela atriz Fernanda Torres, a apresentadora. Houve até o manifesto-surpresa de Marcelo D2, que cantou Meu Samba é Assim, vestido de piloto da Varig, enquanto sua banda se vestia de comissários de bordo. Só faltou um som decente para se ouvir música, a grande homenageada da noite. Todo mundo que se apresentou ou recebeu prêmio lutou contra distorções, falta de mixagem e um volume desagradavelmente alto. Talvez em casa tenha se ouvido melhor. Desde as 20 horas, a turma do sereno se aglomerou na calçada em frente ao Theatro para ver os famosos chegarem. Quem esperou, foi recompensado porque quase na hora de o show começar, eles chegaram aos borbotões. Ivete Sangalo, Elba Ramalho, Carolina Diekman, Alexandre Accioly (todos com suas caras-metade), Marcos Paulo e Nívea Stelman (namorados recentes), Luiz Miranda, Zeca Camargo, Heloísa Perissé e Ingrid Guimarães, Mônica Martelli, Juliana Paes, Maria Paula e Bussunda, Lulu Santos (vestido de Tio Sam brasileiro, com casaca verde bandeira, cabelos amarelos e a cartola preta) e Beth Carvalho, para não dizer que não havia músicos.Caetano Veloso e banda deram início ao show, com um arranjo heavy metal de Tropicália. Zeca Pagodinho, Marcelo D2, Toni Garrido e Negra Li deram canja, mas o som estava aquém do elenco. Pouco se ouvia além de barulho. Não melhorou quando duplas de músicos apresentaram os indicados e entregaram os prêmios. Foi ótima idéia juntar Jair Rodrigues e o funkeiro Fernandinho Beat Box para dar o prêmio de melhor grupo ao Jota Quest, Altamiro Carrilho e Andreas Kisser (do Sepultura) saldarem o melhor instrumentista (Rodrigo Amarante) com uma versão roqueira de Brasileirinho, e juntar Martinho da Vila com Juliana Paes para entregar o de cantora a Ana Carolina. Mas por que seus textos e os agradecimentos com sonoplastia ensurdecedora? Até a roqueira Pitty reclamou.Os músicos que se apresentaram não tiveram melhor sorte. Los Hermanos, Vanessa da Mata, Pitty, Ivete Sangalo e Jota Quest lutaram para se fazer entender. Marcelo D2 conseguiu ao menos que seu arranjo de hip hop/samba/rap fosse ouvido. Já Zeca Pagodinho, o homenageado deste ano não escapou. Foi chamado ao palco por sua filha mais velha e seu produtor, Rildo Hora, e saudado por Almir Guineto, Arlindo Cruz, Sombrinha e Dudu Nobre, entre outros, com improvisos sobre o samba Não quero Saber mais Dela, de Monarco, seu padrinho artístico. Pena que não deu para entender o que os amigos de Zeca diziam.Valeu a intenção de homenagear a diversidade da música brasileira. Talvez, no ano que vem a produção se acerte com a acústica perfeita do Municipal. PremiadosO Prêmio Multishow difere do TIM e do Rival BR porque a votação é direta, sem juri que indique os melhores. Mas só concorrem artistas que aparecem no canal pago da Globosat, ou seja, só quem tem uma grande gravadora para bancar a divulgação em televisão. Por isso, seu resultado é, às vezes, curioso. Veja a lista de premiados:Cantora: Ana Carolina CD: Ana Carolina & Seu Jorge Grupo: Jota Quest Revelação: Marjore Estiano Clipe: Memórias, de Pitty Instrumentista: Rodrigo Amarante, do Los Hermanos DVD: O Rappa Acústico Show: Ivete Sangalo Música: Ai Ai Ai, com Vanessa da Mata Cantor: Dinho Ouro Preto Homenagem especial: Zeca Pagodinho Matéria alterada em 17/05/06, às 10h45

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