Fabio Motta/Estadão
Show de Amy Winehouse na Arena HSBC, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, em 10 de janeiro de 2011, uma segunda-feira Fabio Motta/Estadão

Amy Winehouse teve passagem pelo Brasil meses antes de sua morte

Cantora se fixou em hotel de Santa Teresa e fez shows em Florianópolis, Rio de Janeiro, Recife e São Paulo; relembre

André Carlos Zorzi, O Estado de S.Paulo

19 de julho de 2021 | 12h00

Amy Winehouse teve uma passagem marcante pelo Brasil meses antes de sua morte, aos 27 anos de idade, que completa uma década nesta sexta, 23 de julho. Entre 8 e 15 de janeiro de 2011, a cantora de Rehab e Back to Black fez shows em Florianópolis, Rio de Janeiro, Recife e São Paulo. 

A artista se estabeleceu em um hotel de luxo na região boêmia de Santa Teresa, no Rio de Janeiro, e praticamente só saía do local para pegar o avião e realizar os shows, voltando à capital fluminense em seguida. A segurança do local foi reforçada e apenas outros hóspedes podiam adentrar no saguão. Mesmo assim, inúmeros fotógrafos ficaram de tocaia na região, de olho em possíveis flagras e deslizes de Amy entre os poucos acenos e contatos que tinha com os fãs. À época, vinha afastada dos palcos havia cerca de um ano e meio, desde maio de 2009, quando cantou em um festival musical no Caribe. 

Pouco antes do início da turnê, uma visita ilustre: Ron Wood, guitarrista dos Rolling Stones, que namorava a brasileira Ana Araújo na ocasião, almoçou com a cantora. Mesmo diante de públicos animados, Amy chegou a esquecer a letra de algumas canções (recorreu a 'colas' no chão, sem disfarçar que estava lendo), quase caiu, e fez apresentações breves, deixando algumas músicas inteiras a cargo de seus backing vocals, dando indícios de que sua situação já não era das melhores. 

Mesmo durando pouco mais de uma semana, a passagem de Amy Winehouse pelo Brasil foi bastante midiática. Alguns de seus momentos, como a ocasião em que foi fotografada deixando parte dos seios à mostra, ou quase caiu no palco, apresentando sinais de embriaguez, pareciam chamar mais atenção do que sua capacidade musical, e foram exaustivamente compartilhados.

São Paulo foi palco de seu último show no País. Começou às 23h39 do dia 15 e fez parte do Summer Soul Festival (no qual se apresentaram antes Janelle Monáe, Mayer Hawthorne, Instituto e a dupla Miranda Kassin e André Frateschi), no Anhembi. Os fãs puderam ouvir músicas como Just Friends, Tears Dry On Their Own, Valerie, You Know I'm No Good e um bis composto por Love Is a Loosing Game e Me and Mr. Jones durante pouco mais de uma hora. Felizmente, sem grandes erros ou cambaleadas no palco.

Quando seu pai, Mitch Winehouse, que também é músico, esteve no Brasil em novembro de 2015, ele contou ao Estadão: "A Amy sempre gostou de música brasileira. Ela passou a admirar ainda mais a sonoridade do Brasil depois da temporada que passou no País".

Meses depois, em 22 de junho, Amy subiria ao palco de um de seus últimos shows, em Belgrado, capital da Sérvia. Desorientada e sob efeito de drogas, teve dificuldades para se apresentar e ouviu uma sonora vaia. 

No mês seguinte, em 23 de julho de 2011, Amy Winehouse morreu em decorrência do excesso de álcool no organismo, que lhe causou um coma e uma parada cardíaca. Segundo os investigadores, ela tinha 416mg de álcool para cada decilitro de sangue, o suficiente para causar uma morte acidental. Seus órgãos vitais estavam em boas condições e não havia traços de drogas ilegais no organismo.

 

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Dez anos após sua morte, Amy Winehouse ganha novos documentários

Cantora já foi tema de 'Amy', apresentado em Cannes e vencedor do Oscar em 2016

André Carlos Zorzi, O Estado de S.Paulo

19 de julho de 2021 | 12h00

O mundo da música completa uma década sem Amy Winehouse nesta sexta-feira, 23, dia em que será lançado Reclaiming Amy (rebatizado após ser divulgado inicialmente como Amy Winehouse: 10 Years On), documentário produzido pela BBC que traz a visão de sua mãe, Janis, que tem esclerose múltipla, sobre a trajetória da filha. Na próxima terça, 27, estreia Amy Winehouse e Eu: A História de Dionne Bromfield, que conta com o olhar da afilhada da artista.

 

 

Segundo a BBC, a presença de Janis em Reclaiming Amy foi escolhida por se tratar de "uma figura próxima de Amy de quem ainda temos muito a ouvir e cuja versão dos acontecimentos muitas vezes diverge da narrativa que nos foi contada antes". "Não sinto que o mundo conheceu a verdadeira Amy, aquela que eu criei, e anseio pela oportunidade de oferecer uma compreensão de suas raízes e um vislumbre mais profundo da verdadeira Amy", explicou a mãe sobre a obra.

Reclaiming Amy promete trazer imagens raras de apresentações nunca vistas antes ao longo de seus 59 minutos, que também trazem depoimentos de familiares e amigos da artista. A obra será exibida às 21h desta sexta pela BBC Two, no Reino Unido, e depois deve ficar disponível na plataforma BBC iPlayer, sem previsão de exibição no Brasil.

 

 

Amy Winehouse e Eu: A História de Dionne Bromfield foi anunciada pela MTV e pelo Paramount+. O documentário será exibido no Brasil no canal pago na terça-feira, 27 de julho, às 19h, e ficará disponível no serviço de streaming posteriormente. Dionne, afilhada de Amy, compartilha seus altos e baixos e material de arquivo inédito dos tempos que passou com a cantora durante cerca de uma hora.

"Não posso mensurar o quão terapêutica esta jornada tem sido para mim. Finalmente, posso avançar para o próximo capítulo da minha carreira, sabendo que lidei com emoções que foram enterradas por anos. Espero que este documentário apresente Amy como mais do que apenas uma pessoa lutando contra o vício e, em vez disso, mostre a pessoa incrível que minha madrinha era", conta Bromfield.

 

 

 

Amy

Não se tratam dos primeiros documentários sobre a cantora. Em 2016, o diretor Asif Kapadia recebeu o Oscar de melhor documentário em longa-metragem por Amy, uma desconfortável biografia que aborda o declínio da cantora e sua relação com o uso exagerado de drogas, seu marido Blake Fielder-Civil e o frequente assédio dos paparazzi que faz o público refletir se, durante os últimos anos da jovem, não acabou contribuindo para sua morte precoce aos 27 anos.

À época, seu pai, Mitch Winehouse, por vezes retratado como oportunista, criticou a produção: "O filme é equivocado e desequilibrado. Todo mundo que participou da produção desse documentário deveria se envergonhar. Minha relação com a Amy era repleta de amor. Tínhamos alguns problemas, como qualquer família. Mas, no geral, a gente se amava muito".

 

 

 

Amy Winehouse no Streaming

Além do documentário que será disponibilizado pelo Paramount+, os fãs brasileiros de Amy Winehouse não têm acesso a muitas obras sobre a cantora - os catálogos da Netflix e do Amazon Prime Video, por exemplo, não contam nenhuma produção sobre ela no País. Os assinantes do pacote Globoplay + Canais Ao Vivo do streaming da Globo, por sua vez, podem assistir a duas produções.

Amy Winehouse Back to Black: Classic Albums, filmado em lugares onde o álbum mais conhecido da cantora foi gravado, traz entrevistas com produtores, além dos momentos de cantoria. Já Amy Winehouse - Live At Shepherds Bush é a gravação de um show ao vivo da cantora realizado em Londres. 

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