Divulgação
Divulgação

Amigos farão homenagem a Cássia Eller no Rock in Rio

Estão confirmados Nando Reis, Arnaldo Antunes e Zélia Duncan

Roberta Pennafort, O Estado de S. Paulo

14 Julho 2015 | 15h30

(Atualizada às 19h10)

RIO - Na tarde de 13 de janeiro de 2001, Cássia Eller fez um show que se tornaria histórico por algumas razões: abriu o último ano de carreira da cantora - ela morreria em 30 de dezembro, aos 39 anos -, foi sua derradeira apresentação grande (o público somava ao menos 100 mil pessoas) e virou um dos momentos mais marcantes das atrações nacionais na trajetória do Rock in Rio, reavivado naquele 2001 depois de uma década fora do País. No dia 18 de setembro, abertura da edição 2015 do festival, Cássia será festejada por músicos amigos e admiradores.

A homenagem celebrará os 30 anos do Rock in Rio e será a principal deste dia no Palco Sunset, espaço da Cidade do Rock destinado a encontros musicais. Estão confirmados, entre outros artistas, Nando Reis, Arnaldo Antunes, Zélia Duncan, Mart’nália e os sete músicos que compunham a banda de Cássia. A atriz/cantora Tacy Campos, que a interpreta no teatro e tinha 10 anos quando ela morreu, também integra o time.

O festival, em sua edição comemorativa de 30 anos, terá sete dias, e todos os ingressos estão esgotados.

O setlist terá clássicos em sua voz, como Malandragem, Segundo Sol, Partido Alto e 1.º de julho, e é quase o mesmo daquele de 2001. “O Rock in Rio foi muito importante porque o Brasil inteiro realmente ficou conhecendo a Cássia. Mas para a gente, na época, parecia só mais um. Ela deixou um vazio tão grande que até hoje a banda não tinha se reunido para tocar junta”, contou ontem a percussionista Lan Lan.

O show, vendido em DVD, tem como momentos principais as versões de Come Together (em que Cássia levantou a camiseta regata e mostrou os seios) e Smells Like Teen Spirit (elogiada por Dave Grohl, ex-baterista do Nirvana, que subiria ao palco mais tarde, com o Foo Fighters). Aos 7 anos, o filho de Cássia, Francisco, tocou percussão (ensinado por Lan Lan). Aos 21 anos e músico, Chico Chico (nome artístico) está trabalhando apenas nos bastidores - foi chamado pelo produtor do Sunset, Zé Ricardo, mas preferiu não cantar.

“Ele está escolhendo o repertório junto com o Zé e o (baixista) Fernando Nunes, tratando esse show com o maior carinho, mas não quer participar como artista. Quer se descolar um pouco da imagem da mãe, porque todo mundo faz comparação, e isso é cruel”, disse sua outra mãe, Maria Eugenia Vieira Martins, que esteve ontem na divulgação dos detalhes do tributo.

Nando, que foi amigo íntimo de Cássia, cantará a sua Segundo Sol. Zélia, companhia desde a juventude em Brasília, escolheu Malandragem. “Cantaria várias: o repertório é forte e lindo. Sempre me emociono quando o assunto é Cássia. Como artista, me sinto honrada; como amiga, me sinto próxima. É como fazer carinho nela, abraçá-la, mostrar quanto sentimos sua falta”, comparou a cantora, por e-mail.

Mart’nália pouco a conheceu - “eram duas tímidas”, brinca -, mas diz que a tem como referência. Seu número será ECT. “É um prazer estar perto dela. Cássia era única, tinha uma voz poderosa e não tinha afetação.”

A escalação teve como norte o desejo de mostrar a diversidade da intérprete. “Ela cantava rock, hip-hop, samba e baladas. É uma celebração. Todo mundo foi chamado por ter uma questão emocional com a Cássia, ou com seu legado. O Chico, eu tentei convencer diversas vezes, já disse que ele pode fazer o que quiser”, afirmou Zé Ricardo. Para recriar a vibração dos shows de Cássia, ele chamou, além da banda, a equipe técnica que trabalhava com ela. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.