Amigos e família se despedem de Marisa Gata Mansa

Parentes e amigos estiveram hoje no cemitério São João Batista, em Botafogo, zona sul do Rio, para se despedir da cantora Marisa Gata Mansa.Ela morreu às 20 horas de quinta-feira, aos 69 anos, vítima deum acidente vascular cerebral (AVC), complicaçõesbroncorespiratórias e pneumonia. Estava internada há quatro diasno Hospital Miguel Couto, no Leblon, zona sul.O pesquisador musical Ricardo Cravo Albim lembrou queMarisa vivia tempos difíceis ultimamente. "O abandono e apobreza em que ela morreu persiste como uma chaga dentro doBrasil em relação aos artistas do passado", disse. Albim trouxea cantora para cantar três faixas na coletânea Há sempre umNome de Mulher. Para ele, Marisa foi "uma das cantoras maisdefinitivas da era do samba-canção nos anos 50, uma dasintérpretes favoritas de Antônio Maria, Tito Madi e RicardoGaleno". Segundo Albim, a carreira de Marisa posterior aosamba-canção não lhe fez justiça. Viagem, de Paulo CésarPinheiro e João de Aquino, foi seu único grande hit.O produtor e compositor Hermínio Bello de Carvalholembrou que, em seus 50 anos, foi homenageado por Marisa com umshow na Lapa, em que ela cantou suas músicas, entre elasCobras e Lagartos, parceria dele com Suely Costa gravada porMarisa.Antes, no início dos anos 70, ele participara do discoViagem. "Marisa se destacava por sua extrema musicalidade e bomgosto para as letras", comentou Hermínio. "O público em suamaioria talvez não conhecesse a grandeza dela." Zezé Gonzaga,que conheceu Marisa na Rádio Nacional, a definiu como "umapessoa boa, alegre e engraçada". "A gente passava o diainteiro na rádio. Era nossa segunda casa", recordou. Oviolonista Ruy Pereira, que trabalhava com Marisa e foi seumarido de 1973 a 1984, contou que ela vinha se isolandoultimamente. "Marisa estava num processo natural de ostracismopela idade e pelo tipo de trabalho dela. O País vive um eternocarnaval e o que ela fazia era muito intimista", destacou.Tristeza - A amiga Eloá Dias contou que Marisa sentiatristeza por não cantar mais e que só não passava pordificuldades financeiras porque os amigos e o filho, o músicoMarcelo Mariano, de 35 anos, de seu casamento com o pianistaCesar Camargo Mariano, lhe ajudava. "Agora, depois de morta,ela é tudo, mas não teve direito nem a uma aposentadoria." Eloádisse que a maior alegria da vida de Marisa, ultimamente, era aneta Maria, de 5 anos, filha de Marcelo. " Maria dizia ´cantavovó´ e ela cantava."O velório da artista começou pela manhã no cemitério. Emseu caixão foi colocada uma bandeira do Fluminense Futebol Clube, time pelo qual torcia. Ouça a música Viagem, de Paulo César Pinheiro e João de Aquino, gravada por Marisa Gata Mansa

Agencia Estado,

10 de janeiro de 2003 | 15h25

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