Amigos dão adeus a Dona Zica

Os muitos amigos e admiradores de Euzébia Silva de Oliveira, a Dona Zica da Mangueira, prestam hoje suas homenagens à grande dama do samba e madrinha da Estação Primeira da Mangueira, que morreu de manhã, no Rio. "Dona Zica era uma mulher dinâmica, que conviveu com o verdadeiro mundo do samba e levantou a Mangueira", disse Joãosinho Trinta, carnavalesco da Grande Rio. "Hoje não há mais mulheres como dona Zica e dona Neuma, verdadeiras matriarcas do samba.""Do outro lado da vida, está cheio de mangueirenses ilustres e para lá foi a tia Zica: Mocinha, Djair, Cartola, Neuma, Carlos Cachaça", afirmou o compositor mangueirense Nelson Sargento. "A Zica foi importantíssima para a cultura da Mangueira e a música brasileira."Conforme lembrou a sambista Lecy Brandão, "sempre que a Mangueira tinha algum problema para resolver, até de grandes esferas, dona Zica era convocada para chegar e resolver porque só a presença dela encantava qualquer pessoa. Então, a Mangueira perde seu esteio, porque dona Neuma era um e dona Zica era outro. E agora, com certeza absoluta, as duas estão no céu.""Foi uma surpresa", disse Jamelão, intérprete dos sambas da Mangueira. "Homenagem não vai faltar porque todo mundo gostava dela." O sambista mangueirense Ivo Meirelles também se mostrou surpreso: "Ela ´avisou´ que ia falecer várias vezes e, dessa vez, partiu sem avisar. Todomundo na Mangueira está surpreso."Carlinhos de Jesus, coreógrafo da comissão de frente da Mangueira, se disse "arrasado" com a morte de Dona Zica. "Éramos muito próximos. A gente sempre dava bitoca na boca e ela costumava me chamar para comer feijão nacasa dela, que eu adorava. Era a eterna avó, mãe, se preocupava com a gente. Era uma figura imortal", lamentou. "Morte e dona Zica nãocombinam."

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