Americanas são destaque do Festival Tudo é Jazz

A terceira edição do Tudo é Jazz - Festival Internacional de Jazz de Ouro Preto - vai levar a Ouro Preto, em Minas Gerais, entre os dias 2 e 4 de setembro, quase uma centena de artistas de peso. Estarão na cidade o veterano Jon Hendricks, o saxofonista Steve Coleman e a orquestra Morphine, que vai prestar um tributo ao líder Mark Sandman, morto no palco há cinco anos. Consagrados músicos brasileiros foram convidados, entre eles o compositor Hermeto Paschoal, o pianista César Camargo Mariano e o violinista Romero Lubambo. O destaque desta edição fica por conta das cantoras norte-americanas Patricia Barber e Jane Monheit. As definições que os críticos americanos arranjam para a cantora, pianista e compositora Patricia Barber são, no mínimo, engraçadas. A revista Time, por exemplo, definiu-a como um cruzamento de Diana Krall com Susan Sontag: Ela toca tão bem como a primeira e tem uma cabeça parecida com a da segunda. Patricia Barber tem uma voz sensual e amarga, sua inteligência está bem acima da média americana e suas composições usam letras de poetas como Ovídio e Verlaine. Precisa dizer mais? Seu oitavo CD, Live: a Fortnight in France, sai agora no Brasil, pelo selo EMI. Patricia resiste o quanto pode à estratégia da indústria fonográfica para domesticar o bicho selvagem que é. Diz que não nasceu para vender um milhão de discos. Atualmente, está envolvida num ambicioso projeto, desenvolvido com a ajuda de uma bolsa de Fundação Guggenheim. É um ciclo de canções baseado nas Metamorfoses do poeta romano Ovídio. Ao contrário de Patricia Barber, que não canta em São Paulo por causa do ar poluído, Jane Monheit faz dois shows no Bourbon Street no dia 2, além das apresentações no Festival de Jazz de Ouro Preto. Cinco dias depois, a Sony lança seu mais novo disco, Taking a Chance on Love, repleto de standards de Cole Porter, Harold Arlen e Fats Waller. Sobre o CD e seus shows no Brasil, a "garota de ouro" do jazz - como foi batizada em sua terra - falou com exclusividade para o Estado, por telefone, de Nova York. Por causa de suas escolhas musicais e do repertório do CD, que inclui Over the Rainbow, já foi chamada de retromaníaca. Ignorando os críticos, assume que suas referências são mesmo clássicas. "Era o que eu ouvia na casa dos meus avós quando menina e não creio que essas canções tenham envelhecido." Jane continua fiel a elas a ao estilo de sua maior influência, Ella Fitzgerald. Arrisca até um "scat" em I Did It My Way, de Arthur Schwartz, e é muito grata ao professor Peter Eldridge, do grupo New York Voices, por ter ensinado tudo o que sabe de harmonia e melodia na Manhattan School of Music. De qualquer modo, não se sente à vontade para compor canções experimentais como as de Patricia Barber. "Sabe, o tipo de música que escrevo tem mais a ver com meus anos de formação, isto é, está mais próxima da música folk ou pop que dos clássicos do meu repertório." Patricia canta com espírito crítico, especialmente quando escolhe um sucesso popular para sacrificar. Jane leva a sério canções descartáveis como If, de David Gates. É preciso deixar que Jane cresça. É bom para o jazz. É bom para todos os ouvidos. O Festival - Com curadoria de duas irmãs, Maria Alice e Mariana Martins, o festival cresceu e ganha este ano um novo formato, envolvendo Ouro Preto num clima jazzístico com shows de músicos mineiros por toda a cidade, mesas-redondas com críticos, festival de culinária cajun, workshops gratuitos com os convidados e uma grande exposição de fotos de músicos de jazz. A idéia, segundo Maria Alice Martins, sócia da MultCult, promotora do evento, é "fazer do festival uma espécie de Flip musical de Ouro Preto", referindo-se à festa literária que ajudou o turismo e divulgou Paraty entre intelectuais estrangeiros.

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