Amazônia recebe estrelas do pop eletrônico

O mais curioso evento de música eletrônica já realizado no Brasil começa a chamar atenção na cena internacional. O Ecosystem 1, um megaevento que vai ser realizado na Floresta Amazônica com a presença de DJs e artistas de vários países, ganha destaque em publicações internacionais e mobiliza o público. Organizado pelo DJ e empresário brasileiro Carlos Soul Slinger com o apoio do Greenpeace, o evento promete atrair atenção para a preservação do meio ambiente e "celebrar todos os ecossistemas".Slinger, que trocou São Paulo por Nova York no fim dos anos 80, é o criador da marca Liquid Sky, que virou selo fonográfico e se tornou fundamental na sedimentação da cena do drum-´n-bass nos Estados Unidos. O DJ e produtor lançou alguns dos principais nomes da cena eletrônica do país, realizou incontáveis eventos multimídia nos últimos anos e inspirou diversos artistas brasileiros a encontrar novos caminhos dentro do gênero.Foi ele também uma das principais forças por trás do primeiro grande evento de música eletrônica do Brasil, o L&M Music, em 1993, que passou por São Paulo, Curitiba e Porto Alegre e reuniu Moby, Altern8 e o DJ Mark Kemins, entre outros. O projeto do Ecosystem 1 é mais ambicioso.Durante quatro dias (2 a 5 de agosto), em uma série de tendas armadas em uma região nas proximidades de Manaus, o evento traz DJs e shows de artistas dos Estados Unidos, Inglaterra, Alemanha, Japão, Índia e Brasil. Apesar de reunir nomes não muito conhecidos do grande público, o evento promete apresentações importantes para a cena brasileira.Entre os destaques, estão a Suba Dream Band, formada em homenagem ao produtor iugoslavo Mitar Subotic, morto em 1999, com participações de Mario Caldato (produtor dos Beastie Boys, entre outros) e Bid (do Funk Como Le Gusta); a apresentação da Nação Zumbi, com percussão e DJs; e o Boi Sound System, conhecida "equipe de som" da região de Manaus.A lista de atrações internacionais já inclui os californianos do Cyberslam (que tem a participação de Trixie, do grupo Crystal Method); o DJ japonês Krush; os indianos do State of Bengal (com picapes, percussão e tablas) e os alemães do Air Liquide. Entre os DJs, estão os conhecidos Afrika Bambaataa, Spooky, Aphrodite, Dimitry (do Deee-Lite), Krust e Mixmaster Morris, entre outros."Os ´eco-seres´ da nossa geração são preocupados com o meio-ambiente e escolheram a música eletrônica como trilha sonora própria", justifica Slinger. Para garantir o clima ecológico, o Greenpeace promete cuidar "para que o evento traga benefícios para os povos indígenas e da Amazônia". De acordo com Rebeca Lerer, do Greenpeace na Amazônia, tecnologias como energia solar e tratamento biológico do esgoto já fazem parte do esquema de produção. "Além disso, o lixo será separado e reciclado, o uso de transporte coletivo será priorizado e materiais com cloro e alimentos transgênicos serão evitados", diz.Outras informações sobre o evento estão no site oficial, no endereço http://www.ecosystem1.org.

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