Amazonas Filarmônica busca personalidade

Após cinco edições do Festival Amazonas de Ópera, a Amazonas Filarmônica está se firmando como uma das principais orquestras do País. Atualmente sob a direção artística do maestro Luiz Fernando Malheiro, também seu regente titular, o grupo montou uma programação regular de concertos que inclui a presença de grandes artistas como Maria João Pires e Antonio Menezes, que fazem concertos na capital amazonense durante o segundo semestre, ao lado da orquestra.Segundo Malheiro - que também é diretor da divisão de ópera do Teatro Municipal do Rio -, a principal intenção, nesta fase de trabalho, é a construção de uma sonoridade característica. E, para isso, uma programação regular é, segundo ele, fundamental. "Após os primeiros anos da orquestra - quando os músicos não sabiam ao certo o que tocariam e quando -, a orquestra vive hoje um ritmo bastante intenso de trabalho, o que é importante para equilibrar o seu som e criar uma personalidade bem definida", explica. A programação da orquestra é bastante diversificada. Além dos concertos e do festival de ópera - que teve sua quinta edição este ano, entre abril e maio -, o grupo tem apresentado durante o primeiro semestre concertos dedicados a crianças, com o intuito de formar um novo público local. "A orquestra está fazendo as últimas apresentações de O Pedro e o Lobo, que é interpretada quase toda semana para escolas e grupos de crianças do Amazonas com um grupo de teatro local", conta Malheiro. Para o segundo semestre, está previsto o espetáculo Quem Roubou a Peruca de Mozart que, diz o maestro, "fala de música, dos instrumentos, de maneira simples".Uma das novidades da programação é a presença de concertos com o balé do teatro que, ao mesmo tempo que busca a integração entre os corpos artísticos da cidade, permite aos músicos da orquestra atividades que colaboram na formação da sonoridade almejada por Malheiro. Ao lado de peças como Bolero, de Ravel, em que toda a orquestra estará presente, algumas coreografias serão acompanhadas por conjuntos de câmara formados por músicos da Amazonas Filarmônica, como é o caso de Carnaval dos Animais (que será tocada na versão para instrumentos solistas) e do Octeto, de Stravinski, com os sopros do grupo orquestral."Estamos procurando incentivar a formação de conjuntos de câmara entre os músicos da orquestra, em especial os sopros, pois é uma oportunidade de tocar juntos", indica Malheiro. E, segundo ele, a importância disso aparece na hora da formação de uma sonoridada característica. "Os músicos que formam a orquestra vêm de escolas de interpretação muito diferentes, enxergam a música de modos distintos, estão acostumados com maestros diferentes e é preciso ajustar essas diferenças na hora de criar um som próprio", observa Malheiro, que acredita que cada vez mais a orquestra tem mostrado uma harmonia maior.Bossa - Nesse processo tem grande influência a música brasileira - o grupo interpreta A Floresta Amazônica, de Villa-Lobos. "Os músicos, além das atividades com a orquestra, apresentam-se pela cidade, fazem shows, recitais e a música brasileira está sempre muito presente, o que é bom para dar uma ´bossa´ aos estrangeiros, o que abre os horizontes e influi no processo de desenvolvimento", diz o maestro que, planejando uma turnê para o ano que vem, acredita que a orquestra já poderá mostrar uma sonoridade diferente ao público.A Amazonas Filarmônica tem, hoje, 63 músicos e a intenção é que, até o fim do ano, chegue a 70. Com essa formação ressalta Malheiro, ela pode almejar um repertório mais amplo (estão programadas para este ano a Sinfonia nº 4, de Mahler, a Sinfonia nº 5, de Shostakovich, e o Requiem, de Verdi - com o Coro do Teatro Municipal do Rio e apresentações nas duas cidades). Para completar os quadros do grupo, Malheiro procura bons músicos - de preferência brasileiros - que se interessem em ir para o Amazonas, tarefa que ele confessa, não tem sido das mais fáceis.

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