Amaral Vieira é homenageado em SP

A Sinfonia Cultura, sob a regênciade seu diretor Lutero Rodrigues, presta no domingo uma homenagemao compositor paulistano Amaral Vieira, que está completando 50anos, um dos principais nomes da composição brasileira. O grupo,que tem se dedicado à divulgação do repertório nacional, vaiinterpretar peças - incluindo uma primeira audição - do autor,que também participa ao piano da execução de O Alvorecer doSéculo da Humanidade, para Piano e Orquestra.Peça composta em 1992, o Alvorecer, assim comoSons Inovadores para Orquestra Sinfônica (também de 92) eCanção da Juventude (1995), é uma obra inspirada na poesiado japonês Daisaku Ikeda, pensador que tem influenciado bastanteo trabalho de Amaral Vieira nos últimos anos. "Tenho por ele umforte sentimento de amizade e admiração, temos uma grandeafinidade de idéias, compartilhamos a esperança e um sentido deconstrução em um mundo tão depressivo como o nosso." Essaspeças já foram registradas em CD no Japão, onde Amaral Vieiratem se apresentado com freqüência nos últimos anos.A outra obra que compõe o programa é a SinfoniaConcertante para Três Trompetes e Orquestra Sinfônica Op. 154,que terá sua primeira audição mundial. Ela, na verdade, foicomposta em 1981, mas manteve-se inédita até hoje, como explicao compositor. "No início da década de 80, me encomendaram umaobra para três trompetes, com um versão para banda sinfônica eoutra para orquestra sinfônica. A primeira já foi executadamuitas vezes, mas a outra só agora será interpretada."A peça se insere, como aponta o autor, dentro da listade obras nas quais ele busca fugir ao repertório tradicional,explorando instrumentos muitas vezes deixados de lado peloscompositores. "É um enorme desafio, que já começa na hora deencontrar três bons trompetistas. Mas acabamos sempre nossurpreendendo com a qualidade dos nossos intérpretes que, aomesmo tempo em que desenvolvem trabalhos excepcionais, nãoconseguem o reconhecimento que merecem." No concerto de domingo, a interpretação da Sinfonia Concertante terá a participaçãodos trompetistas Sérgio Cascapera, Marcos Motta e AguinaldoSalinas.Amaral Vieira mostra-se contente em ver uma orquestrabrasileira tocando suas obras, mas, mais do que isso, dedicandoum concerto inteiro a um autor nacional vivo. "Vivo, ma nontroppo", brinca. Ele acredita que este é um momento em que acomunidade musical deve unir esforços para lutar pelavalorização da música brasileira, sem bairrismos, mas quebrandoa velha idéia de que aquilo que vem de fora, por definição, émelhor do que qualquer coisa que seja produzida por aqui."Discussões, intrigas, tudo isso precisa dar espaço a umresgate do lado humanístico da profissão, a arte precisa estaracima de muitas coisas."Além da atividade como compositor e pianista, AmaralVieira - que foi presidente da Sociedade Brasileira de MúsicaContemporânea - acumula hoje uma série de cargos nos quaismantém uma ligação forte com a idéia de incrementação da vidamusical paulistana e brasileira. É o mais jovem membro daAcademia Brasileira de Música, presidente da FundaçãoConservatório Dramático e Musical de São Paulo e diretor doFestival Internacional São Bento de Órgão, atualmente em suanona edição.Concertos Sesc & Sinfonia Cultura. Domingo, às 11horas. R$ 5,00. Sesc Belenzinho - Teatro. Avenida Álvaro Ramos,991, São Paulo, tel. 6602-3700.

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