Guido Karp/Divulgação
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Alta voltagem do AC/DC leva 70 mil ao Morumbi

Show tem tudo para ser um dos melhores do ano; turnê 'Black Ice' vendeu 2 milhões de ingressos no mundo

Jotabê Medeiros, de O Estado de S. Paulo,

27 de novembro de 2009 | 01h00

É o último grande show do ano. Tem tudo para ser o melhor grande show do ano. E o que é pior: não tem mais ingresso, só na mão de cambista. Uma das cinco turnês mais lucrativas do ano, segundo a Pollstar (as outras quatro são U2, Bruce Springsteen e Coldplay), a banda australiana AC/DC desembarca nesta sexta-feira, 27, para um concerto único no País - fato misterioso, já que a Argentina, com poder aquisitivo em queda, terá três shows do grupo logo a seguir, no Estádio do River Plate. São esperadas 65 mil pessoas no Estádio do Morumbi, e o show começa às 21h30.

 

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AC/DC, para quem gosta de rock’n’roll, não tem margem de erro. Para quem não gosta, no entanto, pode ser uma tortura. Literalmente. Um relatório de novembro de 2008 do Senate Armed Services Committee dos EUA mostrou que os prisioneiros da Base de Guantánamo eram torturados sendo submetidos durante horas (às vezes dias) à música incessante de AC/DC, Rage Against the Machine, Nine Inch Nails, Marilyn Manson e... Britney (entre outros).

 

O AC/DC é uma das forças mais íntegras (e influentes) do rock pesado. Sabe aquele filme A Escola do Rock, com o Jack Black? Adivinhem qual é a música e a banda que o "professor" Dewey Finn (Black) escolhe para seu grupo fazer uma cover no final? It’s a Long Way to the Top (If You Wanna Rock’n’ Roll), do AC/DC. Além disso, incluíram na trilha sonora as músicas Back in Black e Highway to Hell (sem tirar o terninho com gravatinha típico do Angus Young).

 

A atual turnê do AC/DC, intitulada Black Ice (título do disco de inéditas que lançaram pela Sony BMG em 2008), traz de volta aos palcos os gigantes do hard rock após oito anos de ausência. É uma superprodução que lotou todos os lugares onde se apresentou e vendeu cerca de 2 milhões de ingressos mundo afora. A última vez que o AC/DC tocou no País foi em 1996, no Estádio do Pacaembu. Brian Johnson (vocal, de 62 anos), os irmãos escoceses Angus Young (guitarra, 54 anos) e Malcolm Young (guitarra, 56 anos), Cliff Williams (baixo, 60 anos) e Phil Rudd (bateria, 55 anos) fazem seu circo do rock num palco de 78 metros de comprimento por 21 metros de profundidade e dividem a cena com uma locomotiva real de seis toneladas (que se move durante a apresentação).

 

O trem desgovernado do hard rock é uma potência da música. Só nos EUA, o grupo vendeu mais de 70 milhões de álbuns. Como é que o piloto de carros amador Brian Johnson continua berrando daquele jeito aos 62 anos? Brian entrou para o AC/DC após a morte do cantor original, Bon Scott, em 1980. Tornou-se uma espécie de standard do rock (o primeiro disco que gravou com o novo grupo só vendeu menos que Thriller, de Michael Jackson). Mas quase que ele não aceita o convite. Johnson era vocalista da banda Geordie. Mas, ao receber o convite, conta que pensou duas vezes.

 

"No fim, eu só fui porque tinha outro trabalho agendado em Londres. Era um anúncio para a Hoover. Eles me deram 350 libras, a maior grana que tinha ganhado na vida de uma vez só", contou. Brian contou a história em entrevista a The Scotsman, e falou também sobre a longevidade do AC/DC. "Para ser honesto, não consigo nos ver parando. É nossa vida, de todos nós na banda."

 

A primeira visita do AC/DC ao Brasil ocorreu no primeiro Rock in Rio, em 1985. A turnê do álbum Ballbreaker trouxe o grupo de volta ao país 11 anos mais tarde. Ao ser anunciado este novo show no Morumbi, os fãs fizeram filas logo nas primeiras horas da manhã nos pontos de venda e esgotaram os ingressos rapidamente.

 

No total, foram necessárias 55 carretas para transportar toda a estrutura do espetáculo, com sistema de som e luz jamais vistos no País. A Time for Fun, que realiza o show, informa que a estrutura é maior do que a da cantora Madonna, concerto realizado no ano passado no Brasil. Para montar e desmontar tudo, são utilizados 4 guindastes (um de 50 toneladas, um de 90 toneladas e dois de 120 toneladas) e 12 empilhadeiras (uma de 5 toneladas e outras 11 de 3,5 toneladas).

 

Não é uma banda para meias emoções, pode ter certeza. No dia 2 deste mês, um fã do AC/DC, James Ivison, de 37 anos, de Winnipeg, foi condenado a quatro anos de cadeia por ter esfaqueado um sujeito de 22 anos nas imediações de sua casa, segundo informou o Winnipeg Sun. O motivo: o esfaqueado estaria "ofendendo a honra do AC/DC". O atacado não morreu, as cinco facadas que levou não atingiram órgãos vitais.

 

O último show dessa turnê Black Ice está marcado para o dia 16 de março em Osaka, no Japão. O álbum Black Ice (Sony BMG) sucedeu ao grande sucesso Stiff Upper Lip, de 2000 (o 15° disco do grupo que foi o 5° álbum mais vendido dos EUA). Foi produzido por Brendan O'Brien no Warehouse Studio de Vancouver, e traz 15 novas composições da banda. Além de tocar as músicas inéditas deste álbum, o grupo promete uma retrospectiva de seus 36 anos de carreira - desde o remoto início em Sydney, Austrália.

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