Almeida Prado cria peça para Campos do Jordão

O compositor Almeida Prado é rodeado por músicos e partituras, seguido de seus alunos de composição, pouco após o ensaio das Variações Sinfônicas, peça inédita, escrita especialmente para o Festival de Campos do Jordão e que vai ser apresentada pela primeira vez pelos jovens da Orquestra Acadêmica, em concerto hoje no Auditório Claudio Santoro. Almeida Prado é o compositor residente do Festival de Campos deste ano. Parece haver um renascimento de Almeida Prado no ar. Aos 60 anos, ganhou um festival em sua homenagem no Centro Cultural São Paulo, deu concorridos cursos sobre Beethoven em São Paulo e recebeu encomendas de novas obras, feitas por artistas influentes como o violoncelista Antonio Meneses e a pianista Sônia Rubinsky. Como muitos de seus colegas ilustres, ele, de um lado, esteve sempre sujeito ao quase anonimato de quem escreve música hoje no País - ainda que, de outro, sempre será o autor das Cartas Celestes, série de obras que fizeram dele uma espécie de reinventor do piano erudito no Brasil. "Já fui tema de muita tese por aqui. Isso dá prestígio. Todo mundo fala de sua obra. Mas, ouvir? Ah, isso de jeito nenhum." As Cartas Celestes são um bom referencial para se conhecer Almeida Prado, aquilo que o define como músico e o modo segundo o qual suas orientações foram se alterando com o tempo. Da década de 80 para cá, ele iniciou o que chama de sua fase pós-moderna. Em outras palavras, abandonou os dogmas e abraçou uma visão mais eclética, que incorpora desde os ensinamentos da vanguarda até a volta à tonalidade, à melodia. E, ao fazer isso, antecipou o que hoje é quase regra. "Quero ser ouvido, é só isso".Orquestra Acadêmica do Festival - Auditório Cláudio Santoro. R. Dr. Arroba Martins, 1.880. Campos do Jordão. Hoje, 21h. R$ 50

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