Mario Anzuoni/ Reuters
Mario Anzuoni/ Reuters

Alice Cooper vem ao Brasil com seu teatro completo, Arthur Brown e o 27º disco, ‘Paranormal’

Aos 69 anos, roqueiro diz que não pensa em se aposentar; ele será um dos destaques do Rock in Rio 2017

Guilherme Sobota, O Estado de S.Paulo

03 de setembro de 2017 | 06h01

Paranormal não é uma palavra estranha ao universo de Alice Cooper. Embora o roqueiro que transformou o vaudeville em coisa de headbangers sempre tenha se mantido afastado de seres de outro mundo, foi Paranormal o nome que ele escolheu para o seu 27.º álbum de estúdio, lançado em julho e bem recebido pela crítica norte-americana. Cooper toca pela primeira vez no Rock in Rio (com seu show completo) no dia 21 de setembro, com participação do também teatral Arthur Brown. Cooper ainda faz outros dois shows no Brasil: no dia 23 desembarca em Curitiba, e no dia 26 de setembro, toca na São Paulo Trip no mesmo dia que o Guns N’ Roses.

“Não tenho planos de me aposentar, vou gravar e fazer turnês até não poder mais”, diz o senhor Cooper, por telefone, ao Estado. “Viciado em rock-n’-roll”, aos 69 anos ele demonstra uma potência vocal ainda impressionante nas 12 faixas que compõem Paranormal. “Nunca tive problema com minha voz, provavelmente porque nunca fumei cigarros. Foi uma coisa boa para mim… E também parei de beber há 35 anos. Conheci muitos caras fumantes que perderam a voz. Fui recompensado nesse ponto.”

O disco tem produção do parceiro de longa data Bob Ezrin e participação de Larry Mullen, baterista do U2, Billy Gibbons, do ZZ Top, e Roger Glover, do Deep Purple. Com melodias que vão do heavy metal estridente a baladas sombrias, Cooper escreve sobre doenças mentais e diferentes níveis de paranoia - Paranoiac Personality poderia estar em qualquer disco de sua lavra do início dos anos 1970.

É o show desse disco que Cooper vai apresentar no Brasil - que também deve ter os movimentos clássicos, como a guilhotina, e no Rio a participação de Arthur Brown. 

“Conheço ele desde os anos 1960 e fizemos um negócio em Londres há 5 anos, num show de Halloween”, conta Cooper. “Foi divertido. Ele faz aquela coisa com a cabeça em chamas, é muito bom cantor.”

Brown também é conhecido pelas performances rocambolescas no palco: seu número mais conhecido é o que ele incendeia um capacete para cantar Fire, seu maior sucesso, de 1968. “Começamos em 1964, 1965, ao mesmo tempo”, recorda Cooper. “Nunca tínhamos ouvido falar dele. Ele estava na Inglaterra, nós nos EUA. A gente fazia a coisa teatral sem saber que ele existia. Então, não foi bem uma influência.”

A “coisa teatral” a que ele se refere é a maquiagem borrada, o visual andrógino gótico, os números de circo como decepar a própria cabeça em cima do palco, simular uma execução em cadeira elétrica, “matar” uma galinha viva (que apareceu sem querer, segundo a lenda). Muitos dos números sobrevivem até hoje.

Em um programa de web chamado Nights with Alice Cooper, o cantor conversa por telefone com outros músicos, e em um episódio publicado em junho, disponível no YouTube, ele tem essa conversa superengraçada com Arthur Brown. Em um momento, Cooper ri ao contar que Brown foi conselheiro de casamentos em algum ponto da carreira, depois de um mestrado em psicologia.

Cooper lembra-se do show de 2013, quando ele tocou com os Hollywood Vampires no Rock in Rio. “O público era demais, eles realmente amam rock”, conta, antes de entrar no tópico da apresentação dos dois na próxima edição do festival, em setembro.

“Na última vez que fizemos isso, decepcionamos muita gente”, diz Cooper, mais sincero e à vontade na ocasião, para gargalhadas de Brown. Cooper também conta a história do seu lendário show de 1974 em São Paulo, com mais de 150 mil pessoas no Anhembi, e da repercussão midiática que atribuiu ao vaudevillian roqueiro o rótulo de “macumba”. “Virei um tipo de sacerdote da macumba. Agora seremos eu e você!”, diz Cooper para Brown. “Vamos ver em quanto tempo conseguimos esvaziar a plateia e fazer as pessoas irem embora.”

Brincadeiras à parte, Alice Cooper tem sim um lado religioso. Sóbrio há pelo menos 35 anos, ele atribui sua recuperação a um milagre divino. Cristão, ele diz ir à igreja aos domingos e não vê nenhuma contradição com o fato de fazer seu espetáculo. “Deus não tem nenhum problema com o rock-n’-roll”, garante - e quem somos nós para duvidar dessas palavras?

 

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