Alcione canta as loucuras do amor em novo disco

A cantora Alcione recebe músicas em todos os lugares em que vai, além das enviadas a seu produtor, Jorge Cardoso, e a sua gravadora, a Indie Records. Por isso, seu terceiro disco na nova casa, Faz uma Loucura por Mim, que saiu no início do mês com 75 mil cópias pré-vendidas, ia ser só de inéditas. Ela ouviu mais de 300 canções e sambas, tinha material novo para dois CDs, mas rendeu-se às evidências e incluiu quatro regravações. Cada uma com a sua história. "Há músicas que não foram bem exploradas em discos antigos e ganharam cara nova. Na Hora da Raiva (de Roberto e Erasmo Carlos) fez sucesso com Wanderléa, mas sempre me senti frustrada por não cantá-la. E Você me Vira a Cabeça era a mais pedida nos shows e a Globo me incluiu na novela Da Cor do Pecado. Aí, tinha de entrar no disco", explica ela. Alcione está feliz com o sucesso da novela, para a qual deu assessoria, porque a história se passa no Maranhão. "Pela primeira vez protagonistas são negros, a trama é bacana e a novela é o maior sucesso. É bom ter minha música lá." Segundo ela, as outras faixas se dividem entre novatos que me trouxeram músicas maravilhosas e medalhões que fazem canções para arrasar. Foi o caso de Primo do Jazz, samba suingado cuja letra lembra o parentesco entre as músicas negras americana e brasileira. "Os autores, Nei Lopes e o Magnu Souza, me convenceram com a letra, que fala de New Orleans, uma terra com a qual sempre me identifiquei", conta Alcione. "Ela abrirá meu próximo show, que deve estrear em São Paulo e viajar pelo Brasil afora. Vai ser uma produção alentada, com bailarinos e 15 músicos no palco." Faz uma Loucura por Mim é um disco de canções de amor a partir da que lhe dá título. Alcione ganhou essa faixa de público nos anos 80, quando gravou Qualquer Dia Desses, que ela nem pretendia incluir no seu repertório. "Às vezes acontece isso, estou com o disco pronto, tudo em cima, e alguém me traz uma música maravilhosa, que não posso deixar de gravar", diz. Ela rebate as críticas a sambistas que seguem a trilha romântica, lembrando que não é uma novidade de pagodeiros dos anos 90. "Tudo começou com um cantor chamado Gilson, nos anos 70, que fez sucesso com o samba Poxa. Depois vieram o Agepê e muitos outros. Esses pagodeiros fizeram um público jovem, que não era ligado ao samba, prestar mais atenção em nós." Nesse ecletismo, Alcione mistura figuras endeusadas como Dona Ivone Lara (Razão e Nostalgia, com Bruno Castro) e os novatos Wander Lee (Mais um Barco), os hitmaker Carlos Colla e Michael Sullivan (Contra a Correnteza), com o sambista Serginho Meriti (A Que mais Deixa Saudade). Não é coincidência que todas as canções descrevam a dor-de-cotovelo de mulheres ou suas paixões. "Mas não é um disco confessional ou autobiográfico. Há várias mulheres por aí, a raivosa, a sofrida, a corajosa e a que está sempre à disposição", enumera. "É claro que não sou todas elas, mas canto para todo mundo."

Agencia Estado,

12 de abril de 2004 | 16h16

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