Álbum resgata gravações raras de Maria Bethânia

É famosa a história do nome da cantora Maria Bethânia. Grande sucesso em todo o País, a canção Maria Bethânia, do compositor pernambucano Capiba, gravada por Nelson Gonçalves, caiu nas graças dos Vianna Telles Veloso. Quando a caçulinha nasceu, em 1946, o irmão Caetano exigiu que a menina fosse batizada com o nome da música.O que pouca gente sabe é que a cantora Maria Bethânia também gravou a canção para um projeto especial do Banco do Brasil em 1987. A gravação nunca foi incluída em disco da cantora e acabou sendo esquecida e sua existência lembrada apenas por fãs mais ardorosos e pesquisadores musicais.O resgate desta faixa que estava inédita em CD - com arranjos suntuosos do maestro Orlando Silveira e direção do crítico musical Ricardo Cravo Albin - é apenas uma das surpresas do álbum Maria Bethânia Clássicos, que a BMG está lançando agora. Baseado em um projeto original do jornalista da Agência Estado, Eduardo Magossi, o disco passeia pelas gravações que Bethânia realizou de compositores que ela ouviu no rádio, em sua infância em Santo Amaro da Purificação. Magossi realizou um trabalho minucioso de pesquisa e resgatou gravações raras que, sem nunca serem grandes sucessos, fazem parte do imaginário musical do País.O disco reúne interpretações de Bethânia para clássicos de Noel Rosa, Ataulfo Alves, Monsueto, Vinícius de Moraes, Capiba, Pixinguinha e Dorival Caymmi, incluindo, além de Maria Bethânia, outras três faixas também inéditas em CD que contam com arranjos e orquestração do maestro José Briamonte. Estas faixas - Último Desejo e Três Apitos, de Noel Rosa, e Sol Negro, de Caetano Veloso - ganharam roupagem nova nas mãos de Briamonte, seja nas elegantes cordas adicionadas a Três Apitos, na orquestra de Último Desejo ou na guitarra discreta de Sol Negro. Vale lembrar que Sol Negro é a faixa que lançou Gal Costa para a música, em sofisticado dueto com Bethânia.Também do repertório de Nelson Gonçalves, e em dueto com o próprio, está incluído o antológico samba-canção Caminhemos, de Herivelto Martins. Ao lado de tantas gemas, seria injusto não incluir algumas músicas que se tornaram clássicas na voz de Bethânia. Carcará, aparece em versão rara, ao vivo, do disco Festival da Balança, de 1966. Na faixa, Bethânia substitui o famoso texto sobre a seca do Nordeste por um irônico relato do avanço da indústria têxtil brasileira. Ao vivo também, porém em gravação mais recente, a canção que aproximou sua carreira do grande público e a tornou uma cantora popular de fato: Olhos nos Olhos, de Chico Buarque.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.