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Álbum duplo ‘The Summit’ une swing inigualável e afinação precisa

Os vocais do quarteto The Manhattan Transfer e do sexteto Take Six têm raízes no gospel, além de ramificações no jazz e na música pop

João Marcos Coelho, Especial para o Estado

25 de janeiro de 2019 | 03h00

A música nasceu, em tempos pré-históricos, quando o homem descobriu que só com sua garganta era capaz de produzir sons – de amor e medo, orgulho e tristeza. Na sequência, milhares de instrumentos foram criados pelo homem, visando a criar um maravilhoso e aparentemente infinito caleidoscópio de cores e timbres. Mas o fascínio pela voz limpa e nua, sem próteses instrumentais, é atávico, que nos emociona sempre, seja numa cantata de Bach ou na música gospel; numa ópera ou na música pop.

Os Estados Unidos constituem o berço dos grupos vocais a capela inclusivos (a expressão italiana define o canto sem acompanhamento instrumental). 

Com raízes no gospel e nos spiritual negros do século 19, e ramificações no jazz e na música pop, alcançaram enorme sofisticação. É o caso de dois grupos extraordinários que acabam de lançar o álbum duplo The Summit: de um lado, o quarteto vocal The Manhattan Transfer, que em 2019 completa 47 anos ininterruptos de atividade com sua quarta formação. 

Pop e jazz. Eles começaram como grupo pop, mas um arranjo revolucionário de Birdland, música criada em 1977 pelo tecladista Joe Zawinul para o superquinteto fusion Weather Report, apenas dois anos depois do lançamento da gravação original, levou-o a investir num repertório misto pop/jazz que encanta ambas as tribos há décadas. 

De outro, um sexteto vocal criado no Alabama em 1980, o Take Six, imediatamente saudado pelo mago Quincy Jones como “o” grupo vocal da década. Juntos, abocanharam 20 prêmios Grammy. E em categorias diferentes, como jazz e pop, gospel, soul. E a razão é simples: seus arranjos vocais são a um só tempo sofisticados e marcantes. É difícil, mas acontece: cápsulas refinadas capazes de sensibilizar qualquer tipo de ouvido. Biscoitos finos para a massa, diz ainda o refrão. 

Afinação precisa, swing inigualável e inteligência nos arranjos e na escolha do repertório. Eles esbanjaram tudo isso num longa temporada de shows conjuntos pelos Estados Unidos em 2017. 

The Summit está agora disponível em CD físico e plataformas digitais (R$ 22,90). 

Há, claro, os grandes hits de cada um dos grupos: Straighten Up and Fly, Tuxedo Junction e Candy, entre outros, pelo Manhattan; e Just in Time, I’ve Got Life/Spread Love e Happy pelo Take 6. Mas o melhor é que eles ocupam mais da metade dos 90 minutos de show com performances conjuntas originais. 

Doze músicas em apresentações antológicas: desde a matadora Killer Joe de Benny Golson em arranjo definitivo de Jon Hendricks até versões incendiárias de Birdland e What’d I Say, de Ray Charles.

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