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Álbum ao vivo registra clima de jam session

Em 'The A, B, C & D of Boogie Woogie', os clássicos se sucedem, e os músicos mais os realçam do que se servem deles

Jotabê Medeiros, O Estado de S.Paulo

01 de junho de 2012 | 22h22

Charlie Watts tem razão: diversão é a palavra-chave no disco The A, B, C & D of Boogie Woogie. Os músicos têm mais a intenção manifesta de manter aceso um gênero que os motivou na carreira, não deixar cair a peteca do boogie woogie, do que de apresentar uma leitura inovadora dele.

O clima de jam session em clube de jazz é reforçado, embora as improvisações não sejam longas. Os clássicos se sucedem, e os músicos mais os realçam do que se servem deles. Roll ‘Em Pete, sucesso de Big Joe Turner, ganha uma certa elegância de salão. Todos são experimentados e todos são adeptos do gênero, não estão ali somente por camaradagem - o que diferencia essa formação de outras all stars de roqueiros milionários em excursão pelo mundo.

Em Somebody Change the Lock on My Door (gravada anteriormente por Blind Blake e Dr. John, entre outras), a vibração do baixo de Dave Green se destaca, enquanto a voz de Ben Waters cria uma atmosfera irresistível para um mergulho nas noites do blues urbano de Chicago. Green não é um baixista vulgar - foi influenciado por Jimmy Blanton, baixista de Duke Ellington de1939 a 1941.

Os dois pianos se contrapõem com suavidade em St. Louis Blues, Ben Waters solando sobre a base criada por Axel Zwingenberger. Eles passam da solenidade para a diversão sem a menor cerimônia, como em Evolution Blues, esse blues galhofeiro que John Hammond gravou com estilo. “A natureza fez o homem do macaco, de acordo com a história científica/Mas bastou uma mulher bonita para tirar o macaco de mim.”

O boogie woogie permeia o pacote todo. Down the Road a Piece é a mais central desse gênero, canção dos anos 40 composta por Don Raye, e que mistura elementos de rhythm and blues e jazz, uma aula da pré-história do rock’n’roll.

Blues des Lombards é o tributo dos jazzistas ao seu clube residente. O pianista alemão Axel Zwingenberger, que trabalhou com o próprio Big Joe Turner, além de Lionel Hampton, Lloyd Glen e outros, descasca no boogie woogie com grande propriedade. Há também participações, no disco, do ex-stone Bill Wyman e outros convidados.

Charlie Watts marca sua presença com o estilo econômico e ao mesmo tempo contundente que o celebrizou no rock. É um cara corajoso, já gravou tributo a Charlie Parker, já fez disco eletrônico. Esse aqui é a manifestação de sua fé na música como acontecimento coletivo, um jogo de equipe.

Avaliação: Bom

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