Alban Berg abre espaço aos contemporâneos

O público paulistano tem a oportunidade de, a partir desta quinta-feira, no Teatro Cultura Artística, celebrar a tradição e a busca pela excelência artística. Os violinistas Günter Pichler e Gerhard Schulz, o violoncelista Valentin Erben e o violista Thomas Kakuska, que formam o Quarteto Alban Berg desde 1980, fazem três apresentações na cidade com programas que incluem peças expressivas do repertório do grupo criado em 1937.Amanhã, o grupo interpreta o Quarteto para Cordas op. 13, de Mendelssohn-Bartholdi, o Quarteto de Cordas do polonês Bargielski e o Quarteto de Cordas em Si Bemol Maior op. 130, de Beethoven. Sexta-feira é a vez do Quarteto de Cordas em Ré Maior K 499, de Mozart, o Quarteto n.º 3 Sz 85, de Bartók, além da peça de Beethoven interpretada amanhã. Na segunda, o grupo repete o programa de hoje.A presença de Bargielski e Bartók, compositores atuantes no século 20, é forte indicador do trabalho do grupo nos últimos 20 anos. Foi a partir de 1980 que o Alban Berg se firmou como um dos principais conjuntos de câmara do mundo, com uma agenda de concertos e gravações bastante expressiva. E, nesses anos, explorou com ênfase o repertório contemporâneo, intepretando peças de compositores como Urbanner, Berio, Schnittke e Rihm, que escreveram especialmente para o conjunto."Conhecer a música contemporânea é fundamental", afirma Kakuska, apesar da constante resistência do público em relação a composições mais recentes. "A audiência precisa, de fato, concentrar-se mais, mas temos a obrigação de levar o trabalho desses compositores ao público". A obra dos grandes mestres do passado, no entanto, constitui parte importante do repertório do grupo, conhecido pela precisão técnica com que executa peças dos mais diferentes estilos e períodos. Suas gravações das íntegras dos quartetos de Beethoven, Brahms, Berg, Webern e Bartók, assim como dos últimos quartetos de Mozart, Schubert e Haydn e os registros de Dvorák, Schumann, Debussy, Von Einem e Haubenstok-Ramati, tornaram-se referências.Estúdio - Sobre o trabalho em estúdio, Kakuska ressalta a necessidade de grande concentração, tendo em vista as possibilidades que ele proporciona. "Você pode explorar diferentes e diversificados aspectos, tentando coisas novas e repetindo quantas vezes forem necessárias".O contato com o público também agrada aos integrantes do conjunto que, nos últimos anos, têm, também, se dedicado à carreira acadêmica na Academia de Música de Viena e no Conservatório de Colônia, na Alemanha. "Sentir a presença das pessoas é muito gostoso, uma experiência maravilhosa, que nos faz dar o melhor possível".Recentemente, o Alban Berg tem feito grande número de gravações ao vivo em casas como o Carnegie Hall, em Nova York, a Opéra Comique, em Paris, no Queen Elizabeth Hall, de Londres, e no Konzerthaus, em Viena.Quarteto Alban Berg - Quinta, sexta e segunda, às 21 horas. De R$ 40,00 a R$ 100,00. Teatro Cultura Artística - Sala Esther Mesquita. Rua Nestor Pestana, 196, tel. 258-3616.

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