Alanis Morissette retoma a boa forma em novo disco

Um bom sinal de que a onda do pop teendescartável está mesmo no fim chega às lojas de todo o mundo naterça-feira. Under Rug Swept, o novo disco de AlanisMorissette, marca a volta da cantora e compositora que foi umadas maiores influências do pop americano até o mundo ser tomadopor Britney Spears, ´N Sync e companhia. E aponta para orefortalecimento do rock, das letras com (algum) significado eda produção com menos cara de produção em série. Depois deerrar a mão em Supposed Former Infatuation Junkie, de 1998,a canadense mostra que é um dos maiores talentos surgidos nosúltimos tempos.Under Rug Swept, o primeiro disco produzido por Alanis sem oparceiro Glen Ballard (que foi trabalhar com ChristinaAguillera), resgata o espírito de Jagged Little Pill, quepode ser considerado uma obra-prima dos anos 90, principalmentelevando-se em conta tudo o que se viu nos últimos tempos por aí.Seis anos depois de vender 28 milhões de cópias de um únicotrabalho e se tornar, involuntariamente, a musa da geração X,ela parece livre para fazer o que gosta, depois da tentativafrustrada de incluir elementos indianos em um segundo disco queninguém conseguiu engolir.O tempo também parece ter levado a sensação de superexposiçãoque deixou a artista e o público sem vontade de lembrar de hitscomo You Oughta Know e Ironic (ela confessou váriasvezes que teve vontade de abandonar a carreira).O disco traz uma coleção de boas composições, recheadas deenergia e com a dose certa de fúria: novas promessas de vingançafuncionam melhor do que os agradecimentos à Índia. A produçãovolta a se basear em guitarras cheias de efeitos como tremolo elevadas sincopadas de bateria. Alanis, é claro, continuacantando bem e gravando seus vocais principais com uma segundavoz sobreposta. O time que engrossa a sonoridade inclui Me´ShellNdegeocello, e um trio de peso dos anos 90: Flea, do Red HotChili Peppers, Eric Avery, do Jane´s Addiction, e Dean DeLeo, doStone Temple Pilots.Under Rug Swept acabou demorando mais do que o previsto parachegar às lojas por conta da complicada renovação do contrato deAlanis com a Maverick Records, de Madonna. O atraso fez com queela trabalhasse novamente algumas músicas, mas o melhor é que oálbum está sendo lançado em uma época em que até os adolescentesque eram fãs do pop água-com-açúcar parecem não agüentar mais suamesmice. Alanis tem tudo para voltar ao seu trono notopo.

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