Al Gore sai em defesa das Dixie Chicks

A crítica feita pela cantora Natalie Maines, das Dixie Chicks, ao presidente dos Estados Unidos teve repercussão política. O ex-vice-presidente Al Gore resolveu se pronunciar sobre o assunto. Durante uma palestra em uma universidade americana, o político disse que a democracia em seu país está ameaçada, e usou o exemplo das Dixie Chicks para ilustrar. "Elas tiveram de se sentir anti-americanas e sofreram retaliação econômica pelo que falaram", disse Gore. "Nossa democracia foi prejudicada. Nossa melhor proteção é a liberdade e o debate aberto." A retaliação econômica à qual ele se referiu foi o boicote feito por rádios, que deixaram de tocar músicas do trio texano, muitas vezes a pedido de ouvintes. Natalie Maines disse à BBC que se sentia envergonhada pelo fato de o presidente dos EUA ser do mesmo estado que ela, o Texas. "Vocês sabem, nós estamos envergonhadas que o presidente dos Estados Unidos seja do Texas", disse ela.Uma parte do público também se manifestou contra a declaração de Natalie Maines. Há menos de um mês, cidadãos favoráveis à guerra contra o Iraque se juntaram para destruir CDs das Dixie Chicks em praça pública, usando um rolo compressor. A pressão sobre o trio levou Natalie Maines a assinar um pedido de desculpas por sua declaração, afirmando que "quem tem o cargo de presidente tem que ser respeitado de qualquer maneira". Ao lado de vários atores e músicos, as Dixie Chicks foram alvo de um pedido explícito de boicote feito pelo tablóide nova-iorquino New York Post em 19 de março. No texto, o jornal chamava os artistas contra a guerra de "amantes de Saddam", e dava instruções de como seus leitores poderiam boicotá-los. Para a maioria dos artistas, o jornal dedicava apenas uma passagem, citando espetáculo, filme, programa ou CD que ele fazia no momento. Para as Dixie Chicks, o jornal deu um parágrafo inteiro.

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