Al Di Meola traz a SP sua música mundial

Ainda que tenha a imagem bastanteassociada à estética do jazz fusion, o violonista e guitarristanorte-americano Al Di Meola, que se apresenta nesta quarta e quinta-feira no palco do Directv Music Hall, prefere algo maisatual para definir seu trabalho. "O termo jazz fusion édidático e muito característico dos anos 70, por isso mesmo umtanto datado. Acredito que minha música é contemporânea emundial", diz ele à reportagem, de um dos quartos do HotelPanamericano, em Buenos Aires.Terminologias à parte, o início da carreira do músicoremete ao Return to Forever, banda que se notabilizou pelafusão jazzística em 1974. No entanto, o arroubo rocker éancestral ao début como músico profissional. Coisa de quem naprimeira infância se deliciava ao som dos Ventures, Beatles,Elvis Presley e alimentava o intento de ser baterista."Continuo amando Magical Mistery Tour e Sgt. Pepper´s LonelyHearts Club Band. Quando criança eu queria ser baterista porcausa do Ringo, é claro que mudei para guitarra depois."Durante parte da adolescência, Di Meola foi assombradopelos monstros das cordas dos anos 60. "Se você não tocassecomo Jimmy Page, Eric Clapton ou Jimi Hendrix era difícilconvencer as pessoas de que você era guitarrista." Os tormentosforam aplacados quando ele passou a ter aulas com Bob Aslanianna high school de Bergenfield, em New Jersey. "Ele meapresentou coisas do jazz, da música erudita e até da bossanova. Foi nesse período que eu pude tomar a consciência da forçacriativa da música brasileira."Outro divisor de águas na formação de Di Meola, foi oguitarrista Larry Coryell, conhecido no circuito musical comoo pai do fusion. Impressionado com os acordes deCoryell, o aspirante a guitarrista tinha cadeira cativa nosônibus que iam de New Jersey para Nova York para se enfurnar nosclubes do efervescente Greenwich Village. "Eu estava em todosos clubes que Coryell tocava." Em paralelo, o jovem Di Meoladedicava-se a oito horas de estudo diárias e à imersão nobluegrass de Doc Wats.Do jazz fusion ao qual se dedicou nos anos 70, tocandoao lado de tecladistas como Barry Burrell e Chick Corea, DiMeola migrou para a instrumentação acústica. Nos anos 80,fisgado pela atmosfera do tango moderno de Astor Piazzolla, omúsico estabeleceu uma parceria duradoura com outros doisvirtuoses do violão: o espanhol Paco de Lucia e o inglês JohnMcLaughlin. "Não tocamos mais juntos, mas falei com Pacorecentemente, ele é incrível."Com um currículo respeitável desses fica fácil entendera latinidade romântica impregnada no CD mais recente, TheGrande Passion (Telarc Jazz), base para o shows de amanhã e dequinta.Al Di Meola. Amanhã (03) e quinta-feira, às 21h30. DeR$ 100 a R$ 160. Directv Music Hall. Av. dos Jamaris, 213, tel.5643-2500. Patrocínio: Volkswagen e Phytoervas.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.