Agressão a rapper será investigada

O comandante do 18º Batalhão da Polícia Militar (Jacarepaguá), Miguel Carlou, afirmou hoje que foi aberta uma averiguação para apurar se o soldado que interpelou o rapper MV Bill, de 27 anos, na Cidade de Deus, zona oeste do Rio no dia 11, teria humilhado o cantor e o obrigado a andar pela favela com uma pistola nas costas. O policial foi afastado do serviço até que investigação termine - o prazo máximo é de 30 dias. A pena, caso fique comprovada a má conduta do PM, pode variar de uma advertência até 30 dias de prisão. O rapper, cujo nome é Alex Pereira Barbosa, afirmou que foi abordado por um policial quando estava indo almoçar na casa de sua mãe, na Cidade de Deus. O PM, de acordo com a versão de MV Bil, teria pedido os documentos e depois empurrado o cantor. MV Bill disse que ainda tentou mostrar a sua carteira de músico, mas que não teve tempo. "Primeiro, teve implicância com boné, depois com as roupas e finalmente com as minhas tatuagens", comentou o rapper. O rapper tem um desenho em cada braço e um no peito esquerdo. "Aqui (na Cidade de Deus) tatuagem é coisa de bandido. Com garotos de classe média da Barra da Tijuca é considerado algo fashion", observou. Segundo MV Bill, o PM encostou um revólver nas suas costas e o obrigou a andar durante 20 minutos pela favela. O sargento que estava dirigindo a viatura foi quem avisou ao policial que o homem era MV Bill. "Não é dessa forma que preto e favelado tem de ser tratado. Não somos animais", disse. Acompanhado do vereador Edson Santos (PT-RJ) e do sociólogo Rubem Cesar Fernades ,MV Bill conversou com o comandante do 18º BPM. MV Bill disse que decidiu não formalizar na polícia uma denúncia para proteger a comunidade. "Várias pessoas viram o fato, mas são gente de bem e eu não quero prejudicá-las", ressaltou. O sociólogo Rubem Cezar considera que este tipo de situação pode ser inibida se houver um controle dos moradores. "Não há instituição que funcione sem o mecanismo de controle externo", disse. Para isso, Fernandes propõe a criação de um conselho comunitário na área. O comandante da PM afirmou que o policial que abordou MV Bill se apresentou, mas negou que tenha agredido o rapper. Segundo o comandante, o batalhão já promove reuniões mensais com representantes do setor público e lideranças comunitárias. "Este tipo de ação dá resultados. É importante termos um feed-back da comunidade que, inclusive server como orientação para o nosso policiamento", afirmou.

Agencia Estado,

17 de outubro de 2001 | 20h22

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