Aerosmith volta a SP; Joe Perry fala dos 37 anos do grupo

O mais lesado e lisérgico de todos osastros do rock, Jerry Garcia, da banda Grateful Dead, disse queeles eram "a galera mais drogada" que ele já tinha visto nomundo do rock. É mais ou menos como Jim Morrison fazendoobservações sobre a vida meio torta de Maradona. Mas tudo isso foi há muito tempo atrás, e o Aerosmithnão só sobreviveu aos excessos, como já conta com 37 anos naestrada - com uma ou outra ausência por alguns anos. Suasmúsicas foram gravadas por Guns N? Roses (Mama Kin), R.E.M.(Toys in the Attic), Run DMC (Walk This Way), The Mission(Dream on), Testament (Nobody?s Fault) e até Lobão(Moonlight Paranóia é versão de Seasons of Weather). O Morumbi estará lotado nesta quinta-feira, 12, à noite (sãoaguardadas cerca de 70 mil pessoas) para recebê-los e aos seusparceiros na jornada, o grupo Velvet Revolver - uma jornada dehard rock e solos raros de guitarra, a cargo de Slash, do Velvet e Joe Perry, lenda do Aerosmith.Pai de Liv Tyler O guitarrista Joe Perry falou por telefone sobre a turnê Perry fundou o Aerosmith em 1970 com dois conterrâneos dacidade de Sunapee, New Hampshire: o cantor Stephen Tallarico, de59 anos (que adotou o nome artístico Steven Tyler, pai da bela atrizdo cinema Liv Tyler ), e o baixista Tom Hamilton. Perry relembrou a última vez que o Aerosmith esteve noBrasil, durante o Hollywood Rock, em 1994, quando a banda tocouem São Paulo e Rio de Janeiro. O guitarrista foi rápido aoresponder qual cidade o tinha agradado mais."Aquela foi uma das melhores turnês que já fizemos, e a parte daAmérica do Sul foi particularmente a melhor parte. É claro que oRio de Janeiro é mais fascinante, tem mais a ver com Nova York eLos Angeles, com os restaurantes, a praia, a beleza das pessoas.E com uma vantagem: no Rio as coisas não são tão longe da costa,é possível andar por ali sempre com uma vista magnífica. Mastambém adorei o show de São Paulo, o público tem uma energiaincrível". O Aerosmith, inicialmente, era acusado de mimetizar osRolling Stones. O visual não ajudava a diferenciar uma e outrabandas: Tyler tem a mesma bocarra de Mick Jagger, e os estilosde guitarra de Perry e Keith Richards eram mesmo parecidos. Masnão iguais. E o tempo ajudou a fazer com que Perry acabasse setornando, ele mesmo, uma referência na guitarra. Ele semprecitou Jimi Hendrix e Jeff Beck como os profissionais que mais oinfluenciaram, mas mudou um pouco de opinião.B.B. King é dos maiores "Ouço sempre diferentes guitarristas, que tocam emdiferentes direções, que soam como os clássicos. São esses quegosto. Mas, para minha geração, B.B. King é um dos maiores, econtinua sendo ainda hoje. Quando comecei, eu queria tocar comoele. Acho que ainda é minha mesma motivação, me sintoimpulsionado a fazer a lição de casa, ouvir os guitarristas dosanos 60, dos anos 70, a música de raízes de novo: Chuck Berry,Muddy Waters. Eles exploraram a guitarra em direções diversas. Ehoje, mesmo os caras mais novos estão atentos ao que aquelespioneiros fizeram, estão em busca das coisas mais básicas eimportantes". O vocalista Steven Tyler participou, em fevereiro, deuma campanha para criar uma instituição chamada Departamento dePaz dos Estados Unidos. Muitos dos artistas de rock hoje estãoempenhados nessa causa. E Joe Perry, apesar da fama eterna debad boy, não é diferente. "Acho que a gente tem de pensarpositivo. O mundo não vai se transformar em pacifista da noitepara o dia. Mas tem de começar em algum lugar. É inevitável quea pressão, vinda de muitos lugares e ao mesmo tempo, acabesurtindo efeito nos homens que decidem. Cuide do que você deseja alimente seu espírito e seu coração com isso, que vai ter umbom desfecho. Se as pessoas trabalharem duro o bastante, a pazpode acontecer, não é impossível. Claro, não vai ser da noitepara o dia, mas os discursos já estão mudando." Banda que alimentou - e se alimentou - de diversosgêneros, do pop ao rap, do heavy metal à dance music, Perryencara com naturalidade o fato de que suas velhas cançõescontinuam engordando cofres mundo afora. Agora é a vez dasbandas de garotas inglesas Girls Aloud e Sugababes, que estãobombando com a velha canção Walk This Way, sucesso doAerosmith de 1986. "Quando você faz uma música, nunca sabe o que vaiacontecer com ela no futuro. É por isso que toda canção semantém excitante, na minha opinião, porque sempre seráinterpretada de um jeito diferente. Você não a controla. Masestá lá o nosso sangue. Não vejo diferença entre o que nósfazíamos no início, entre 1969 e 1971, e o que fazemos agora,entre 2005 e 1007. É a mesma coisa."Segurança dos fãs Só uma coisa preocupa de verdade Joe Perry: a segurançados fãs. Ele dá graças aos céus por nunca ter acontecido, em sualonga carreira, coisas como a violência que houve no show dosStones em 1969, em Altamont. "Nunca vi nada nem parecido comaquilo acontecer. Acho que a vibração é sempre mais positiva nosnossos shows. Também procuramos sempre promoters, em todo lugarque vamos, com muita experiência. Rock?n?roll é um negócio muitoexcitante, mas também tem de ser muito bem administrado, senãopode resultar num caos." O Aerosmith desembarca com as baterias recarregadas, emais unidos do que nunca. Em 24 de agosto do ano passado, foianunciado que o baixista Tom Hamilton tinha sido diagnosticadocom um câncer na garganta. Ele teve de se retirar da turnê paratratamento, mas recuperou-se e voltou à banda. Na terça, postouum recado para os fãs brasileiros: "A banda está pirada, para dizer o mínimo, por estarindo para a América do Sul e o México", escreveu. "Passaram-seanos desde que estivemos lá e queremos estar certos de quecausaremos o maior estrago possível. Lembro da última vez quetoquei em São Paulo. Era nossa primeira vez no Brasil e ficamosmaravilhados por ver quanta gente estava por dentro da banda.Pensar nisso nos torna ansiosos para chegar logo e mostrarquanto andamos praticando esses anos todos. Espero que todomundo em São Paulo esteja pronto."Aerosmith - Estádio do Morumbi (65 mil pessoas). Pça Roberto Gomes Pedrosa, 1, 6846-6000. Quinta-feira, às 21h. R$ 140 a R$ 200.

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