JF Diorio/Estadão
JF Diorio/Estadão

Aerosmith reafirma que é uma lenda no Monsters of Rock

Banda encerrou o festival, que teve ainda Whitesnake e Slipknot; veja como foram os shows

Jotabê Medeiros, O Estado de S. Paulo

20 de outubro de 2013 | 23h36

“Uma das maiores bandas de rock do planeta”, segundo o apresentador de TV norte-americano Eddie Trunk sustentou na abertura, o Aerosmith entrou com atraso no palco do Monsters of Rock, às 23h12, que terminou neste domingo em São Paulo. O grupo chegou com grandiloquência, guarda-roupas da Era de Aquarius e avassaladora potência sonora com Back in the Saddle e Love in an Elevator.

Antes de tocar, o grupo fez graça em uma entrevista exibida no telão pelo festival, o vocalista Steven Tyler zombando do sapato azul do baterista Joey Kramer (já Brad Whitford foi o único a lembrar a primeira vez que a banda tocou no País, em 1994, “com Robert Plant”, segundo contou – foi na antiga edição do Hollywood Rock).

“Oi, São Paulo!”, disse Tyler. A banda renovou sua mística mostrando formidável controle de cena, solos precisos (e sem exageros) e a voz inigualável de Tyler soando fresca e nem um pouco cansada.

O teclado sulista em Oh Yeah e a vibração cadenciada do superhit Pink coloriram mais o show, cujo cuidado técnico é impecável. Sem deslizes. O Aerosmith também sabe utilizar a própria lenda em cena, com vídeos mostrando caricaturas de seus integrantes, explosões na tela e a excelência de Joe Perry na exploração do legado da música americana, começando pelo rhythm-n’-blues e passando pelo heavy metal.

Durante o show do Aerosmith, a plateia já não era tão grande quanto duas horas antes, muita gente já tinha debandado, cansada por causa da segunda-feira – embora o horário de verão permitisse uma reserva de energia extra.

Whitesnake vestiu camisa do Brasil no Anhembi

O grupo britânico Whitesnake literalmente vestiu a camisa. O vocalista David Coverdale, um dos maiores ícones do rock'n'roll, subiu ao palco vestindo uma camisa com estampas, na frente e nas costas, de uma bandeira do Brasil estilizada (um logotipo do Whitesnake no centro). Outra bandeira do Brasil esperava no púlpito da bateria.

Fazendo juras de amor ao País, gritando "São Paulo" o tempo todo, Coverdale mostrou grande forma a partir da primeira música, Give Me All Your Love, e quando engatou um par de hits em sequência (Love Ain't No Stranger e Is This Love, que frequentam o dial das radios FM há décadas), o Anhembi sucumbiu de vez ao velho ato do hard rock.

A banda alternou peso e habilidade melódica, com grandes baladas no meio de grandes petardos - houve até um momento meio Crossroads (A Encruzilhada, filme de Walter Hill), no qual os dois guitarristas, Doug Aldrich e Reb Beach, medem forças e vão progressivamente se encaminhando para um ambiente de Delta do Mississippi, até se "fuzilarem" com uma gaita e solos virtuosos.

Coverdale, que quando começou na carreira de vocalista era tido como um imitador de Robert Plant, do Led Zeppelin, é ainda uma potência vocal. Ele se poupa um pouco em alguns agudos, deixando para a banda, mas não é porque não possa alcançá-los - é estratégia de veterano. Ele disse a Eddie Trunk, apresentador da jornada, que o Whitesnake faz o último show dessa turnê em Brasília, e logo em seguida eles tiram uma "folga para o Natal e a família". É um show de rock imperdível.

Ratt esquentou Anhembi para Whitesnake e Aerosmith

Pouco antes de se apresentar o decano Aerosmith, no festival Monsters of Rock, o grupo californiano de hard rock Ratt mostrou como se propaga o DNA do rock. O Aerosmith, notoriamente, começou na vida emulando os Rolling Stones. E o Ratt parece ter se materializado a partir de uma costela do Aerosmith, inclusive com um vocalista, Stephen Pearcy, que tem nome, postura, ficha corrida de excessos e voz parecidas com os de Stephen Tyler, do grupo de Boston.

A banda, que tem mais de 30 anos de carreira, jamais tinha vindo ao Brasil, segundo seus integrantes contaram ao apresentador da jornada, Eddie Trunk, pouco antes de iniciarem o seu show, às 19h, no Anhembi, com Wanted Man (seguida de I'm Insane, In Your Direction e You Think You're Tough). Menos conhecido no Brasil, o grupo ficou devendo alguns hits para esquentar o público. Stephen Pearcy é um veterano no negócio - iniciou-se em Los Angeles numa época em que reinavam Motley Crue, Guns N'Roses e Poison e se diz um descendente direto de uma geração de "hair metal" dos anos 1980.

Figuraça do rock'n'roll, Pearcy acaba de publicar sua autobiografia, Sex, Drugs, Ratt & Roll: My Life in Rock, na qual revela as brigas que fizeram a banda ter vácuos produtivos e separações ao longo dos anos - mas agora estão de novo juntos. O livro foi escrito em parceria com um ghost writer.

Ao contrário do sábado, quando brilharam o Limp Bizkit, o Korn e o Slipknot, o som do Anhembi parece mais potente neste domingo (e um tanto alto e descontrolado também, ao menos nas primeiras atrações internacionais do dia, Dokken, Queensrÿche e Buckcherry).

No sábado, Slipnkot atropelou os ovidos no Anhembi

Qualidade técnica do som da principal banda da noite de sábado não foi exemplar, mas a performance insana da banda segura show e garante diversão

A blitzkrieg do Slipknot é sempre contundente e convincente, e não foi diferente desta vez no Monsters of Rock. As nove máscaras mais feias do heavy metal eram a atração principal da primeira noite do festival Monsters of Rock (que retornou ao Anhembi após 15 anos com cara de feira de negócios, com lojinhas, show room de botas e galeria de arte).

As mais de 30 mil pessoas no Anhembi esperavam pelo Slipknot, de crianças com iPads a marmanjos com máscaras. Foram brindados com shows muito valorosos e eficientes das bandas que antecederiam o Slipknot, especialmente Limp Bizkit e Korn. O Limp Bizkit aqueceu a noite que já ficava fria até com cover do Nirvana e saiu de cena com o equipamento tocando Bee Gees, numa jornada impecável de Fred Durst e seus colegas. O Korn emparedou os fãs em uma paisagem sombria e em altos decibéis - o melhor som em qualidade técnica da noite.

Após cair o pano branco que escondia o palco, o Slipknot, como de hábito, escalou as caixas de som, invadiu a pista (os percussionistas Chris Fehn e Michael Shawn Crahan pintaram e bordaram em investidas na multidão), abraçou os fãs, desceu até a galera e tocou durante duas horas um arsenal de hits, começando por Disasterpiece e seguindo por Liberate, Wait and Bleed, Snuff, Dead Memories e Everything Ends - foram cerca de 20 canções sem pausas, uma avalanche ao estilo "fique detrás de mim, Satã, e empurre!". Muita gente era atendida pelos postos médicos nesse momento, por conta da excitação e do empurra-empurra que a entrada da banda gerou.

O vocalista Corey Taylor é um dos mais habilidosos frontmen do heavy metal atual, e não deixa a peteca cair com seus milhares de "fucking" e invocações de participação popular. O problema estava na potência do som, que não correspondia - parecia que o equipamento estava concentrado apenas no palco, e não nas caixas laterais, ao contrário do que ocorrera com o Korn, que foi perfeito.

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