Adriana Peixoto faz show com canções do primeiro CD

Sobrinha de Cauby se desenvolveu à moda antiga e primeiro amadureceu para mostrar agora o resultado

Lauro Lisboa Garcia, de O Estado de S. Paulo,

23 de setembro de 2008 | 18h01

Na era do MP3, o que não falta são cantoras inexpressivas e cheias de si, algumas abusando do parentesco de pais famosos, outras apoiadas por marqueteiros eficientes em fisgar a parte impressionável da mídia. Mal surgem e já gravam disco, viram hype na internet e tal, mas na hora de mandar ver no palco é que o bicho pega (mal). Com Adriana Peixoto, tudo aconteceu bem diferente. Sobrinha de Cauby e Moacir, filha de Araken, prima de Ciro Monteiro, a cantora se desenvolveu à moda antiga, por força própria. Primeiro amadureceu cantando muito na noite, deu-se um bom tempo para montar um criterioso repertório, para só agora mostrar o resultado em CD, aos 34 anos. Nesta quarta-feira, 24, ela faz show de lançamento do disco, com participação de Cauby Peixoto, no Bar Brahma. Veja também:Ouça trecho de 'Elizeth', de Adriana Peixoto  "Sou autodidata e a minha vida toda até agora foi sempre de experiências. Comecei cantando bossa nova e minha escola foi escutar as nossas divas, Elizeth Cardoso, Elis Regina", conta Adriana. Não por acaso, ela reinterpreta no CD três canções do repertório de Elis e ganhou de Sueli Costa a inédita Elizeth, cujo título fala por si. Foi Cauby quem disse que a sobrinha estava, enfim, pronta para gravar um CD. "Tio Cauby é muito crítico, por isso sei que se realmente ele não achasse que eu estava preparada, jamais diria isso, nem cogitaria gravar comigo", afirma ela. "Adriana é uma grande cantora, tem musicalidade, tem aquele jazz na voz, moderna. É do nível de uma Elis Regina", elogia Cauby. "O repertório também é excelente, nada comercial. Sugeri a ela que gravasse Altos e Baixos, que gostava muito quando Elis gravou." Outra coincidência: essa canção está no mesmo álbum Essa Mulher, no qual Cauby registrou seu único dueto com Elis em outra faixa, Bolero de Satã (Guinga/Paulo César Pinheiro). O CD de Adriana foi produzido pelo pianista cubano Yaniel Matos, que trouxe um pouco do suingue de suas origens. "Com essa voz e essa interpretação fortes, Adriana soa como uma cantora de antigamente. Foi emocionante quando a vi no palco. Quando chegamos ao estúdio para gravar, foi superlegal, porque da maneira como ela trabalha, do começo ao fim, ficou tudo perfeito no ato", diz Yaniel. Para ele, a princípio pareceu estranho "produzir um disco de MPB". "Então, tratei de fazer uma mistura de algum sotaque latino-americano com bossa nova e, sobretudo, samba." Um bom exemplo dessa mistura é Saudosa Maloca (Adoniran Barbosa), com que a carioca Adriana homenageia São Paulo, cidade que adotou há vários anos. As outras reinterpretações do CD são Na Batucada da Vida (Ary Barroso/Luiz Peixoto) e Altos e Baixos (Sueli Costa/Adir Blanc), esta em dueto com Cauby. As outras sete são inéditas de compositores consagrados - como Sueli Costa, Abel Silva, Danilo Caymmi, Isolda, Miltinho e Paulo César Pinheiro - e novos, como Marcelo Guimarães e Dalmo Medeiros, do MPB-4, que também é primo dela. "Estou trazendo para este disco nossos grandes poetas. Quis trazer de volta a música popular brasileira porque acho que a gente está precisando de emoção", diz Adriana, que começou a cantar na noite aos 15 anos, no bairro do Bexiga, "numa época em que aquilo ali era música pura". Apesar de ter um histórico familiar dentro da música, a cantora tentou enveredar por outras profissões, desde os 17 anos. "Foram várias faculdades. Comecei estudando musicoterapia, depois fui para educação artística, administração de empresas, psicologia, voltei para administração e por último passei no vestibular para comércio exterior, mas nem me matriculei. Você vê que eu tentei", diz a cantora, rindo. Sabia pela própria família que vida de músico "é batalha", queria ter um diploma. "Mas não ia me sentir inteira. Meus pais me davam instrumentos de presente de aniversário e eu amava. Então, decidi que queria o palco, queria música." Decisão certeira para quem esbanja suingue em interpretações que às vezes remetem mesmo a Elis, na potência vocal, na divisão do samba e em outras qualidades.

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