Adriana Calcanhotto só para crianças

A cantora e compositora Adriana Calcanhotto demorou dez anos para tornar-se criança de novo. Esse foi o tempo que ela levou para elaborar o disco Adriana Partimpim, nome que usava na infância e adotou para lançar dez canções destinadas ao público pré-adolescente. "Eu achava que não havia discos para essa faixa de idade, tratando crianças como seres inteligentes e resolvi fazer o meu, em 1994. Só que o resultado não me agradou, não teve tempo de maturação, o que só aconteceu agora", conta Adriana, que se recusa a mostrar o próprio rosto em sua nova personalidade. "Não é um pseudônimo, mas um heterônimo, uma forma de me livrar da persona anterior." Ao contrário de seu CD anterior, Cantada, em que predominavam composições suas, Adriana não gravou música própria. Recorreu à memória afetiva, pediu músicas para amigos ou utilizou outras já prontas que se adaptam ao projeto. "O CD ficou com dez músicas em 30 minutos porque a vida é curta e aperfeiçoar é lapidar, cortar." Novidade total é Saiba, de Arnaldo Antunes, especialmente para o disco, e Canção da Falsa Tartaruga, um texto de Alice no País das Maravilhas, traduzido por Augusto de Campos e musicado por Cid Campos (pai e filho, respectivamente). Em todas as faixas, há uma riqueza de arranjos e uma limpeza de som raros em discos para adultos e, principalmente, nos infantis.

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