Admiradores se despedem de Nina Simone

Lembrando sua arte e o ativismo, cerca de 500 fãs e admiradores se juntaram hoje numa igreja no sul da França para dar o último adeus à cantora de jazz Nina Simone. Ela morreu aos 70 anos na segunda-feira na França, país onde ela viveu seus últimos anos. Sua voz encorpada, típica das grandes damas do jazz, além de suas canções em defesa dos direitos civis nos Estados Unidos, foram as maiores marcas deixadas por ela. Nina Simone era uma artista de múltiplos talentos. Estudou o piano clássico mas seu estilo fazia lembrar o de Billie Hollyday. Era uma cantora que protestava pela música, mas adaptou músicas dos Bee Gees. Simone nasceu Eunice Kathleen Waymon, em 1933, no estado americano da Carolina do Norte. Começou cedo na música, aos quatro anos, aprendendo piano. Nos anos 50, começou a gravar jazz e saltou para a fama com a versão de I Loves Your Porgy, do musical Porgy & Bess, de George Gershwin.Foi nos anos 60 que Nina Simone aderiu à música de protesto. Suas primeiras músicas que refletiam uma preocupação política foram sobre o atentado a bomba a uma igreja em Birmingham, Alabama, em que quatro jovens negras morreram. Depois do assassinato de Martin Luther King Jr., ela gravou Why? The King of Love is Dead. ?Nina Simone era parte da história?, dizia uma mensagem do governo da África do Sul enviada ao funeral. ?Ela lutou pela liberação do povo negro. Foi com muita dor que recebemos a notícia de sua morte?. Simone deixou os Estados Unidos em 1973 e viveu no Caribe e na África antes de se fixar na Europa. Ela não voltou aos EUA até 1985, quando fez uma série de shows. Em uma entrevista em 1988, Nina Simone culpou o racismo de seu país natal pela decisão de viver fora de lá. Em seus últimos anos, a cantora manteve sua agenda de shows apesar da fragilidade de sua saúde. Em um show no Carneggie Hall em 2001, ela precisou de ajuda para tocar piano e foi vista em uma cadeira de rodas depois da apresentação. Divorciada duas vezes, Nina Simone deixa uma filha, Lisa, que também é cantora.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.