Tolga Akmen / AFP
Tolga Akmen / AFP

Adele entrega aos fãs exatamente o que eles querem

Álbum '30' tem momentos dilacerantes, como o melhor deles, Easy On Me, e cantora segue biografando sua vida por meio de seus álbuns

Julio Maria, O Estado de S.Paulo

19 de novembro de 2021 | 14h12

O single Easy On Me já havia entregado tudo. Adele, em seu álbum 30, vem na mesma toada de seus antecessores 19, de 2008; 21, de 2011; e 25, de 2015. A canção voou para o primeiro lugar da Revista Billboard, ainda um medidor considerável de sucessos, e quebrou marcas de streaming e de execuções em rádio. Outras músicas, I Drink Wine, Hold On e Love Is A Game, saíram no especial de TV Adele One Night Only, atraindo audiência maior do que o Oscar.

Adele é um fenômeno pop, o maior deles em muitos anos, e com uma carreira estrategicamente conduzida em duas frentes: um pé está no velho mundo e o outro no pós-streaming. Ela é discreta fora dos lançamentos e não aposta na profusão de singles, como fazem os artistas clássicos, mas sim na construção de uma trajetória biográfica que usa os álbuns como capítulos de sua vida. 19, 21, 25 e agora 30 são, além de nomes de seus discos, as idades aproximadas que ela tinha e tem no momento dos lançamentos.

Ao mesmo tempo, como mostra 30, Adele não muda em nenhum grau o curso de sua navegação, como fazem colegas que buscam likes e fãs engajados. Um álbum novo não é mais, como era na old school, uma ruptura com o que havia sido feito, mas a confirmação de expectativas. Assim, mesmo previsível com relação ao registro emocional, Adele entrega exatamente o que os fãs querem ouvir. Sem invenções e sem reviravoltas. Muitas lágrimas, muita dor, muita voz e piano e alguma superação.

Adele está mais interessante aos 33 anos, e suas canções seguem esse amadurecer. Strangers By Nature remete às canções natalinas norte-americanas dos anos 1950, com uma bela melodia; My Little Love só fica mais dolorida quando se sabe que a voz de criança que se ouve é de seu filho Angelo, hoje com 9 anos, ouvindo a mãe falar da separação com o pai, Simon Konecki. E Easy on Me, como se ouviu, é um espetáculo de absorção imediata. 

Há uma falta  em 30,  algo que poderia ser um ponto de equilíbrio às lamúrias de muitas  canções. O espírito de Easy on Me percorre o álbum, mesmo quando um calor a mais aparece em Cry Your Heart Out, um balanço surge em Oh My God e a esperança por uma nova e salvadora paixão venha em All Night Parking, com o piano transposto de Errol Garner, morto em 1977. Mas  Adele não tem um hit de pista. E aqui não seria arriscar, mas ajustar-se aos tempos. E os tempos da sobrevivência também pedem a festa.

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