Acusador de Jackson negou abuso por vergonha

Em seu depoimento de hoje, o menino de 15 anos que acusa o cantor Michael Jackson de abuso sexual disse ter afirmado a um professor que o astro não o havia molestado porque seus colegas da escola estavam "tirando sarro de mim" e ele queria que eles parassem. O garoto de 15 anos disse isso sob questionamento do promotor Tom Sneddon depois que o advogado de defesa de Jackson, Thomas Mesereau Jr., concluiu suas perguntas à testemunha.Ontem, o menino afirmou ter dito a Jeffrey Alpert, professor da escola em que ele estudava em Los Angeles, que nada havia acontecido com ele durante as visitas a Neverland, o rancho de Jackson. A conversa aconteceu depois da exibição do documentário em que Jackson aparece com de mãos dadas com o garoto e diz gostar de dividir a cama com crianças, mas não com caráter sexual.O menino disse que depois de sua última visita a Neverland, os meninos da escola tiravam sarro dele, dizendo que ele havia sido "estuprado" por Jackson. Ele disse ter entrado em várias brigas por causa disso e teve de conversar com Alpert, que perguntou se ele havia sido molestado. "Eu disse a ele que não havia acontecido", disse o garoto. "Todos os meninos estavam tirando sarro de mim na escola e eu não queria que ninguém pensasse que havia acontecido".Ontem, Mesereau interrogou o garoto sobre seu histórico de problemas disciplinares, querendo mostrar que o menino respondia aos professores, atrapalhava as aulas e brigava com colegas. Antes de o menino deixar o banco das testemunhas, Sneddon perguntou o que ele pensa de Jackson agora. "Eu não gosto dele mais", disse o garoto. "Eu não acho que ele merece mais o respeito que eu tinha por ele". Mesereau concluiu seu questionamento perguntando ao menino sobre as vezes em que ele e a família saíram de Neverland, sendo que a acusação afirma que eles foram mantidos presos na propriedade. O menino disse que não se aproveitou das várias oportunidades que teve de fugir porque não queria. Ele disse que a mãe dele era quem queria fugir. "Sua mãe estava preocupada mas sempre voltava para lá?", perguntou Mesereau. "Sim", disse o menino. O advogado ressaltou que o garoto saiu da casa de Jackson pelo menos duas vezes em fevereiro de 2003: para ir ao dentista e para fazer compras. O garoto disse que quando foi fazer compras, a mãe dele ficou em Neverland "onde eles poderiam prendê-la". Ele disse que mesmo quando a família saía de Neverland, os funcionários de Jackson ficavam de olho neles. Ontem, Mesereau descreveu o menino como vingativo e irritado por ter de abandonar o luxo da Neverland.

Agencia Estado,

15 de março de 2005 | 16h23

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