Acusação ressalta falência de Jackson

A promotoria expôs ontem ao júri do caso contra Michael Jackson os supostos problemas econômicos do cantor, acusado de abusar sexualmente de um menor. A exposição foi feita no último dia para a apresentação das testemunhas de acusação. No entanto, até o fim da audiência a promotoria não tinha apresentado sua última testemunha, por isso espera-se que a acusação continue hoje a apresentar sua argumentação. Na terça-feira, a acusação utilizou o testemunho do contador John Duross O´Bryan para falar da comentada falência do cantor. Segundo os cálculos do contador, Jackson mantém uma linha anual de gastos que supera sua renda em entre US$ 20 milhões e US$ 30 milhões. A testemunha destacou que, embora a fortuna do chamado "rei do pop" beire os US$ 130 milhões, sua dívida pode passar de US$ 415 milhões.Além disso, a promotoria apresentou o testemunho do guarda-civil Steve Robell, quem participou da investigação contra Jackson e que declarou que a ex-mulher do cantor, Debbie Rowe, criticou duramente o cantor há menos de um ano. "Ela disse que Michael era um sociopata e que seus filhos eram suas propriedades", disse o agente sobre seu encontro com Debbie.A ex-mulher de Jackson e mãe de dois de seus três filhos foi convocada na semana passada como testemunha de acusação, mas, na prática, acabou se transformando na primeiro testemunha de defesa do cantor. As declarações de Debbie não só contradisseram o anunciado pela promotoria como também ofereceram um firme apoio ao cantor, descrito como uma vítima de "abutres oportunistas".Assim que a promotoria concluir sua parte, a defesa não perderá tempo para demonstrar a inocência de seu cliente. A primeira medida deve ser uma solicitação formal ao juiz Rodney Melville para que encerre o caso por falta de provas. Trata-se de uma mera formalidade que com toda certeza será rejeitada, mas que ajudará a defesa a semear uma nova dúvida sobre as acusações.A partir desse momento a equipe legal de Jackson, comandada pelo advogado Thomas Mesereau, fará o que descreveu como uma "apaixonada defesa do rei do pop". O começo será agressivo, com o testemunho do ator e amigo do cantor Macaulay Culkin, protagonista de Esqueceram de Mim, que será uma das três primeiras testemunhas chamadas para depor a favor de Jackson, informou a rede NBC.Culkin comparecerá junto com outros dois jovens, Brett Barnes e Wade Robson - três amigos íntimos de Jackson quando eram adolescentes -, que passaram um tempo sozinhos com o artista em seu rancho Neverland. Nos três casos, os jovens, que agora têm cerca de 20 anos, negaram veementemente qualquer relação sexual com Jackson e descreveram sua relação como amistosa e inocente.Mas esta não é a descrição que ouviram os membros do júri da boca de algumas testemunhas apresentados pela acusação. Uma ex-empregada de Jackson testemunhou que tinha visto Robson, atual coreógrafo de Britney Spears, tomando banho com Jackson durante uma das visitas do jovem a Neverland, quando era menor de idade. No caso de Culkin, duas testemunhas da acusação insistiram que haviam presenciado o assédio sexual de Jackson contra o jovem ator. Junto com Culkin, a equipe legal do cantor anunciou no início do processo que chamará para depor outras celebridades, como a atriz Elizabeth Taylor e os cantores Stevie Wonder e Diana Ross. Além disso, existe a possibilidade de os filhos de Jackson, Prince Michael, Paris e Prince Michael II (conhecido como "Blanket"), serem chamados a depor, assim como seus sobrinhos. De todos eles espera-se um testemunho que exalte a generosidade da estrela do pop, assim como seu amor inocente pela infância.

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