Acervo do CCSP ganha proteção digital

O Centro Cultural São Paulo começa a dar um novo destino a seu acervo de discos antigos: o computador. Um projeto financiado pela Petrobrás vai permitir que o público possa ter acesso a milhares de canções da MPB sem pôr em risco a coleção, que é uma das mais completas do País. "Queremos destravar a caixa preta que esse acervo representa hoje", conta o diretor do CCSP, Carlos Augusto Calil. "Se alguém viesse aqui hoje e pedisse para ouvir um disco de 78 rotações, não poderíamos atender por falta de equipamento. Gravadas em CD, as músicas estarão disponíveis para quem quiser ouvir."O projeto de digitalização do acervo foi escolhido em um concurso promovido pela Petrobrás. O resultado saiu no fim do ano passado, mas os recursos, no valor de R$ 500 mil, só vão ser liberados agora. A empresa contratada foi a Cia. do Áudio, de São Paulo. O alvo do projeto são os discos de 78 rpm. "Isso corresponde a 60 anos de música brasileira", diz o coordenador de acervo sonoro do Centro Cultural, Evaldo Piccino. A gravação digital deverá permitir o acesso a raridades nunca editadas em CD. "Das cerca de mil músicas gravadas pelo cantor Francisco Alves, por exemplo, só cem podem ser encontradas hoje em CD", explica o coordenador.O trabalho envolve a digitalização de 15 mil discos de música brasileira em 78 rotações, num total de 30 mil canções. A operação vai ser feita em um estúdio montado dentro do Centro Cultural. "Transportar um acervo desse porte seria inviável", conta Piccino. Uma vez convertida em formato wave, a música vai permanecer no disco rígido de um PC até ser gravada em CDs. O projeto prevê que sejam necessários 2 mil CDs para armazenar todas as músicas. Por questões de direitos fonográficos e de autor, as músicas só poderão ser ouvidas no próprio Centro. "Não podemos tornar esse acervo disponível na Internet, mas temos a intenção de um dia formar um banco de dados na web para que essas músicas possam ser localizadas", disse Piccino.

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