AC/DC atrai fãs de todo Brasil e da América Latina ao Morumbi

Fãs venezuelanos enfrentam mais de 8 horas de voo e gastam US$ 600 para ver a banda australiana

João Coscelli, estadao.com.br

28 de novembro de 2009 | 10h57

Venezuelanos levam bandeira de seu país ao Morumbi. João Coscelli - estadao.com.br

SÃO PAULO- Prometia ser o maior show do ano. E com direito a um trem invadindo o palco, uma boneca inflável de 30 metros e tiros de canhão no final, o AC/DC confirmou a expectativa. Quase 70 mil pessoas lotaram o Estádio do Morumbi para ouvir a inconfundível voz rouca de Brian Johnson e delirar com os solos de Angus Young, que no auge do seus 54 anos parecia um garoto.

Mesmo com os portões abertos às 16 horas, o público se concentrou nas imediações do estádio e só começou a encher as arquibancadas e a pista por volta das 19h30, quando uma chuva forte começou a cair na região.

Cerca de uma hora depois, Nasi, ex-Ira!, colocou público para pular com clássicos do rock nacional e estrangeiro, como Raul Seixas, The Clash e The Stooges. Acompanhado de Andreas Kisses, guitarrista do Sepultura, esquentou os fãs - algum dos quais vestidos como Angus Young - para a entrada do quinteto.

Quando a locomotiva entrou no palco e Johnson deu início as primeiros versos de Rock'n'Roll Train, faixa que compõe o disco que dá nome à turnê, Black Ice, o venezuelano Miguel Martinelli, de 40 anos, dizia não acreditar estar vendo seus ídolos ao vivo. "Ver um show do AC/DC é o meu sonho, e estou realizando", disse enquanto agitava a bandeira de seu país. Martinelli e seus quatro amigos enfrentaram mais de 8 horas de voo e desembolsaram o equivalente a US$ 600 para ver os australianos no Morumbi.

"Valeu a pena gastar tudo isso. O show foi fantástico", declarou Jose Bastardo, 34, que acompanhava Juan Pescozo, 30, e os irmãos Carlos e Carolina Villegas, de 20 e 23 anos.

Poderia ser a última oportunidade que teriam para ver o quinteto, já que esta pode ser a última turnê mundial da banda e há especulações de que Johnson, aos 62 anos, está próximo de sua aposentadoria. Na América do Sul, o show Black Ice passou pelo Brasil e segue para três apresentações na Argentina, nos dias 2, 4 e 6 de dezembro, no Monumental de Nuñes. O AC/DC encerra a turnê com uma maratona de 13 shows na Nova Zelândia e na Austrália até o início de março.

Por ser a única apresentação da banda no País, o Morumbi recebeu fãs de todo o país. O gaúcho Fabrício Partichelli, 26, chegou sozinho de Porto Alegre na manhã da quinta-feira, 26, e permaneceu na fila da arquibancada especial até a abertura dos portões, às 16 horas da sexta. "Estou sem palavras, é a minha banda preferida, escuto há 13 anos", disse o fisioterapeuta, justificando o esforço e o desembolso de um total de R$ 400 para assistir ao show. "Valeu muito a pena, vou fazer tudo de novo se eles voltarem", diz.

Efeitos

O Morumbi mais parecia um disco voador no momento em que os refletores se apagaram. Boa parte dos fãs usava o par de chifres Angus popularizou, e milhares de luzes vermelhas piscavam por toda a arquibancada. O público também deu seu show e entoou os grandes clássicos da banda, cada um deles com um efeito especial no palco. Em Hells Bells, um sino gigante foi suspenso e Johnson o fez badalar as seis vezes antes de Angus tocar as primeiras notas da música.

Em Whole Lotta Rosie, uma boneca inflável de 30 metros saiu da locomotiva e, com o pé, acompanhava a agressividade da canção. Em TNT, labaredas e explosões iluminaram o palco, enquanto em Let There Be Rock, Johnson comandava a banda a banda e o público como se fossem um só.

Angus Young deu seu primeiro show particular enquanto tocava The Jack. O guitarrista foi lentamente tirando seus característicos terno e gravata até ficar apenas de bermuda, revelando posteriormente um cueca com o logotipo da banda e levando o Morumbi ao delírio. Mais tarde, dando início ao bis, tocou nada menos que 15 minutos quase ininterruptos de solo e, nos raros momentos que parava, pedia a manifestação do público. Literalmente, o comandante do show deitou e rolou quando foi erguido por uma plataforma no centro do estádio.

Os 70 mil rockeiros foram saudados com tiros de canhão ao som de For Those About to Rock (We Salute You) e após os "obrigados" com o sotaque gringo de Johnson, uma queima de fogos encerrou a apresentação, com o AC/DC já fora do palco. Na saída, os fãs diziam ainda não acreditar que haviam visto as lendas do rock'n'roll.

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