Acari solta novo pacote de choro

Para a gravadora Acari Records, lançada no final do ano passado e até agora com apenas três títulos no mercado, existem dois tipos de música: a boa e a ruim. Uma é atemporal, outra deixa de existir com o tempo. Ao lançar novos compositores e trazer à tona o trabalho dos grandes mestres do choro, a Acari escolheu o seu caminho. Neste mês, lançam seus discos Maurício Carrilho, Índio do Cavaquinho e Arranca Toco, quarteto formado por Pedro Amorim (bandolim), Jorginho do Pandeiro, Nailor Azevedo "Proveta" (saxofone, clarinete e arranjos) e Maurício Carrilho (violão). Maurício Carrilho é um dos idealizadores e donos da Acari Records. Ao lado de Luciana Rabello, batalha incessantemente para preservar o choro, gênero que domina como poucos. Após participar de todos os outros lançamentos que a gravadora colocou no mercado, sempre deixando a marca de seu violão, ele lança seu primeiro álbum solo.Dedica o trabalho aos mestres Radamés Gnatalli e Jayme Tomás Florence, o Meira. A influência de ambos no disco é explícita. Como violonista, Maurício procura atingir a excelência dos acompanhamentos de mestre Meira. Como arranjador, tenta fazer valer o que aprendeu com Radamés, um maestro que, entre outros atributos, soube utilizar seu gênio erudito para enriquecer as harmonias da música popular brasileira.São muitas as homenagens que Maurício Carrilho presta no disco. Tem música para a mulher Anna Paes, para a amiga cavaquinista Luciana Rabello, para o flautista Leandro Carvalho, para Altamiro Carrilho, o "Tio Tamiro" que iniciou o menino Maurício no choro, e muito mais. O jeito de chorar de Maurício é único. Música repleta de referências e sofisticação. Neste seu trabalho existem sutis elementos eruditos, de jazz e de música cubana. Não há como deixar de destacar sua ousadia em compor uma quadrilha. Um Baile em Villa-Boa remete aos tempos de Joaquim Callado. Maurício se pergunta se, nos últimos 80 anos, alguém compôs uma quadrilha. Ele não lembra de ter ouvido, mas se apaixonou pelo gênero e garante não deixá-lo morrer. Antes tarde do que nunca - Depois de 45 anos sem gravar, Índio do Cavaquinho voltou aos estúdios para registrar algumas de suas composições. Lança neste mês, aos 76 anos de vida, 60 deles tocando choro, o 12º álbum da carreira, o primeiro em CD.Exemplo de músico profissional, passou 22 anos trabalhando na rádio Nacional, de 1952 a 1974. Foi companheiro de Garoto, com quem tocou por diversas vezes, e participou da banda de Ataulfo Alves. Neste novo trabalho, mostra-se um compositor sincero. Sua música tem sabor de roda de fim de tarde e aquela espontaneidade própria dos grande instrumentistas. Nordestino de nascimento, toca, além de choros, schottischs e uma valsa, um xote (Carismático) e dois forrós (Do Xingó a Canindé e Cana e Cajú).Arranca Toco é uma jam session. Dela participam Pedro Amorim (bandolim), Jorginho do Pandeiro, Nailor Azevedo "Proveta" (saxofone, clarinete e arranjos) e Maurício Carrilho (violão). O disco nasceu de um churrasco, no estúdio Acari. Gravado em duas ocasiões, na primeira, os músicos tocaram choros clássicos, entre eles Cochichando, de Pixinguinha e Arranca Toco, de Meira e Chorando Baixinho, de Abel Ferreira. Na segunda, composições de Maurício Carrilho e Pedro Amorim.A espontaneidade é a marca óbvia do disco. Todos que participam são amigos de longa data. No entanto, os quatro nunca tinham tocado juntos. Como ressalta Maurício Carrilho no encarte do disco, "este disco tinha tudo para ser simplesmente o de um encontro de quatro músicos. Este é o disco de um quarteto".

Agencia Estado,

29 de setembro de 2000 | 02h10

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