Ação temporária deve tirar Napster do ar

O polêmico web site Napster vai ter de sair do ar esta madrugada, de acordo com ordens da juíza Marilyn Patel, de São Francisco, na Califórnia. A Recording Industry Association of America (RIAA) ganhou uma ação temporária que fecha a empresa enquanto não chegar a hora do julgamento em si, no qual a companhia vai ser acusada de violar a lei dos direitos autorais, o copyright.A RIAA, que representa gravadoras como BMG, Sony Music, Warner Music e EMI, chamou a Napster de "seqüestradora" de propriedade intelectual e disse que sua prática é responsável por uma perda de faturamento das grandes gravadoras na ordem de US$ 300 milhões.O web site fornece uma tecnologia que permite que usuários troquem arquivos de MP3, um sistema de compressão de áudio que possibilita o transporte digital de arquivos sonoros que não ocupam muita memória nos computadores.Milhares de membros cadastrados entram nos computadores um dos outros para procurar suas músicas preferidas. Embora a empresa não disponibilize gravações piratas, ela também não evita que os membros troquem gravações ilegais entre si.A Napster, por sua vez, diz que não tem violado lei nenhuma, porque seus usuários trocam canções apenas para uso particular, não-comercial. A empresa pretende apelar imediatamente a decisão. A juíza, que lançou mão de um artifício legal usado apenas em casos de extrema necessidade, disse que rejeita "o argumento de que isto vai levar a Napster à falência". Especialistas da indústria acham que a Napster e as gravadoras devem chegar a um acordo que garanta um controle maior sobre o que tem sido distribuído na página.Não está claro, na verdade, se a Napster faz mesmo mal para a indústria. Uma pesquisa com 2,2 mil de seus usuários provou que eles compram mais discos do que não-usuários da Napster. Entre discussões sobre liberdade artítisca, direitos autorais e o próprio papel das gravadoras na indústria fonográfica, a questão ganha cada vez mais espaço na mídia e tem tudo para impulsionar sérias mudanças no mercado. A Napster é apoiada por artistas como Chuck D, Courtney Love, Limp Bizkit, Blur, Smashing Pumpkins e outros. "Queremos atrair atenção para os pontos positivos que o Napster tem a oferecer aos artistas", disse Chuck D em um comunicado à imprensa. "Eles precisam entender que podem tirar muitas vantagens do serviço.""Roubar nosso direitos autorais na calada da noite é que deveria ser mostrado como um crime e não o direito de trocar arquivos por meio do Napster", disse Courtney Love recentemente. "Tivemos um bilhão de downloads no ano passado e as vendas de discos estiveram ótimas. As únicas pessoas que deveriam estar com medo disso são os artistas que só têm um música boa em seus discos."

Agencia Estado,

27 de julho de 2000 | 13h58

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