A voz elegante de Steve Ross, de volta ao Rio

O smoking preto impecável, acamélia vermelha na lapela, o lenço branco caindo levemente dobolso do paletó; a voz elegante, o estilo dramático, tudo aserviço de algumas das mais belas melodias de Gerswhin, ColePorter, Irving Berlin, Noel Cowar. É isso mesmo, Steve Ross estáde volta ao Brasil, onde, após uma rápida passagem por São Paulo, faz no Teatro Café Pequeno, no Rio, suas primeiras apresentações depois de quase 30 anos longe da cidade."Uma das coisas que mais me chamam a atenção é que opúblico brasileiro conhece mais a música americana do que nóssabemos sobre a de vocês", diz ao Estado. "Tenho feito, nosúltimos tempos, shows dedicados a compositores específicos, comopequenas homenagens, mas aqui vou fazer algo que também meagrada muito, que é misturar vários autores em uma só noite."Na verdade, seus shows no Rio estarão divididos em três blocos:o primeiro é dedicado a "jóias" cantadas por Fred Astaire aolongo de sua carreia; o segundo, a Cole Porter; e o terceiro,mistura à que Ross se refere, com canções standards ou demusicais e filmes como Cabaret, Casablanca, West Side Story,Cats, e por aí vai."É um repertório bastante amplo, que mostra a riquezadessa faceta da música norte-americana, diferentessensibilidades que surgem antes de mais nada, de um casamento devárias influências com a liberdade de criar."Ross começou a carreira como pianista - o canto, decerta forma, se impôs como uma necessidade ao longo de suatrajetória iniciada na década de 70. "Ouvia muita música, emespecial ópera, na casa de meus pais, e logo comecei a me sentarao piano e dedilhar a partir do que ouvia - o que faço até hoje.Uma coisa leva a outra, e acabei em um conservatório." Onde,ele ressalta, não ficou muito tempo. "Comecei os estudos demúsica clássica do modo tradicional, mas não tinha a disciplinanecessária, sempre fui um pouco preguiçoso." Saiu da escola,mas não abandonou o piano, apresentando-se com pequenos grupos,com amigos, e ganhando seu dinheirinho. "Até que, com 30 anos,cheguei a Nova York, e aí percebi que as coisas precisavammudar."Ele lembra que, por ser pianista, nunca teve grandesproblemas financeiros ("um pianista é sempre mais requisitadoque um contrabaixista"), mas, quando chegou a Nova York, viuque começar a cantar era um caminho inevitável. "Com o tempo,me apaixonei com a idéia e hoje fico feliz de poder cantar,passar para o público uma sensação de humanidade que cria umaidentificação fantástica."Sensual - Aos 64 anos, Ross não pensa duas vezes antesde dizer que a música é sua vida, que esteve sempre presente econtinuará desta forma. "Sentado ao piano, se tem umaexperiência sensual, você toca as teclas e faz com que o somsaia e, a partir daí, qualquer coisa pode acontecer.""Quando se está no palco, você tem de criar um elo comseu público. Você aparece e eles pensam: ´Será que vou gostar?´,´Ele é bonito, sensual?´, ´Ele tem energia suficiente?´ Meudesafio é fazer, com a música, as pessoas se esquecerem de tudo,elas não podem se sentir sozinhas. É esse meu trabalho, precisoacreditar que uma música pode mudar a vida de alguém. E nestesentido, acho que ainda tenho muito o que fazer."

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