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A voz de Edith Piaf continua vibrando cem anos após seu nascimento

Édith Giovanna Gassion, seu verdadeiro nome, nasceu na Rua Belleville, 72, em Paris, afirma há mais de 50 anos uma placa comemorativa

Antonio Lucas, AFP

19 de dezembro de 2015 | 10h00

PARIS - A mítica voz de Edith Piaf, que este ano completaria cem anos, continua vibrando no mundo, e sua terra natal, a França, lembra nestes dias a artista com a publicação de biografias, cartas e novas gravações.

Édith Giovanna Gassion, seu verdadeiro nome, nasceu na Rua Belleville, 72, em Paris, afirma há mais de 50 anos uma placa comemorativa. “Nas escadas desta casa nasceu no dia 19 de dezembro de 1915, em meio à indigência, Édith Piaf, cuja voz comoveu mais tarde o mundo”, diz a placa.

Robert Belleret, autor do livro Edith Piaf, viver para cantar, explica entretanto que, na realidade, ela nasceu no hospital Tenon, bem perto dali.

“Por outro lado, é verdade que, graças à sua voz quase sobrenatural, esta menina de Paris, esta flor do asfalto, conquistou o planeta e ainda vibra em nossas memórias”, afirma o biógrafo.

As canções de Piaf continuam atuais e, nas últimas semanas, têm sido ouvidas nas homenagens às vítimas dos atentados de 13 de novembro.

Coincidindo com o centenário do seu nascimento, assim como aconteceu em 2013 nos 50 anos de sua morte (dia 10 de outubro de 1963), foram publicados numerosos livros que lembram sua carreira, seus amores e principalmente as canções da ‘Môme Piaf’ (passarinho, em francês). O livro de Belleret reproduz documentos oficiais, entre eles a certidão de nascimento, mas também cartazes, cartas e artigos de jornais.

Piaf também é protagonista de um livro de memórias de sua amiga Ginou Richer (“Piaf, minha amiga”), uma biografia escrita por Claude Fléouter (Edith Piaf, dez minutos de felicidade por dia não são tão ruins”) e um livro com cerca de cem cartas que ela escreveu ao seu confidente Jacques Bourgeat entre 1936 e 1959 (“Cartas ao amigo da sombra”).

2015 foi o ano de Piaf na França. No início do ano houve uma grande exposição na Biblioteca Nacional francesa (BNF) de Paris, na qual pôde ser admirado entre outros, seu famoso vestido preto.

Também foi inaugurada uma nova estátua no museu de cera da capital, e, em julho, a cantante foi protagonista do festival de música, Francofolies, na cidade de La Rochelle.

E Charles Azbavour, que foi seu secretário e escreveu letras para algumas de suas canções, lhe prestou uma homenagem num disco publicado em maio, De la môme à Edith..

Mas não há nada melhor para celebrar seu centenário do que ouvir novamente suas canções.

Em princípio não restaram canções inéditas desde que, em 2003, foram publicadas seis. Mesmo assim, o selo Warner aproveitou o centenário para publicar seus arquivos, neste caso, canções gravadas por Piaf desde 1946.

Trata-se de um conjunto de 350 temas, entre eles os mais conhecidos, que foram remasterizados a partir de discos de vinil novos de 78 rotações e de gravações originais, todas elas reunidas em 20 CDs.

Segundo o diretor artístico da edição, Mathieu Moulin, era “um dever” atualizar este repertório “sem distorcê-lo”, como aconteceu com as primeiras gravações de Piaf, entre 1936 e 1945.

Esta nova edição, explica Moulin, permitiu corrigir imperfeições que havia em algumas canções.. É o caso de Le bal dans a rue (1949), da qual se conhecia até agora uma versão excessivamente acelerada em relação à original.

O trabalho do selo também permitiu descobrir que Piaf gravou em algumas ocasiões duas versões da mesma canção, como nos casos de Jezebel (1951), Les Amants de Venise (1953) ou Heureuse (1953).

Tradução de Anna Capovilla

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