A volta da banda Rádio Taxi, da pequena Eva

A cena era comum no início dos anos 80. Mãe, filhos, empregadas, cachorros e gatos juntavam-se em frente à TV cantando em uníssono o refrão: ?Minha pequena Eva/ O nosso amor na última astronave/ Além do infinito eu vou voar/Sozinho com você...?. Aquela banda que cravou seu nome em programas como o Viva a Noite, Barros de Alencar e Chacrinha, está de volta. Com a mesma formação que encerrou os trabalhos em 1986, o Rádio Taxi acaba de lançar um DVD (Rádio Taxi Ao Vivo) e pretende colocar um disco de inéditas nas prateleiras no início do ano que vem. ?Resolvemos retomar a carreira e não pegar carona no revival dos anos 80. Não participamos dessa onda caça-níquel?, diz o guitarrista e vocalista Wander Taffo, 52. A justificativa parece colar. A gravadora Sony/BMG abraçou o quarteto e o vocalista Maurício Gasperin, 45 - por quem as garotas suspiravam em outros tempos -, recusou o convite de festas e tributos à década. ?Uma vez, toquei Eva em um bar e uma menina veio falar que adorava aquela música da Ivete Sangalo (a cantora regravou-a no ritmo da axé music). Achei que era hora de mostrar para essa geração nossa música?, conta. O hit, cartão de visita, saída e entrada do Rádio Taxi, carrega uma história interessante. A canção foi imposição do então diretor da EMI, Marcos Maynard. Canção brega italiana Sustentando sucessos como Garota Dourada (do enigmático refrão ?quero ser teu irmão/ Eu sou teu irmão namorado?) e Dentro do Coração (Põe Devagar), do primeiro disco, Maynard não enxergava êxitos instantâneos em seu segundo LP. Eva era uma das canções mais executadas na Itália e os meninos do Rádio Taxi deveriam gravá-la em português. ?Nossa deixa foi: ?Gravamos, mas não tocamos ao vivo?. Tiramos a música dentro do estúdio, sem ensaiar nem nada. O Lee (Marcucci, baixista) gravou a música deitado. Mas as pessoas começaram a pedir Eva nos shows?, relembra Taffo. ?Eu entrei após o segundo disco e logo depois do estouro de Eva. Já era fã e sabia tocar e cantar os sons do disco de cor?, explica Gasperini. No início dos anos 80, a estrutura para shows no País beirava o mambembe. ?Éramos desbravadores?, conta Marcucci, 52. Taffo recorda o que costumava a acontecer em cidades como Iracema do Norte: ?Em alguns lugares, quando ligávamos as luzes do palco, a cidade ficava às escuras?. Em Manaus, um enxame de gafanhotos tirou o guitarrista do sério. ?Era comum usar luzes de néon. Eu tenho pavor de qualquer inseto maior do que uma mosca. Entrei em pânico.? O grupo chama para si a responsabilidade de desbravar as malcheirosas feiras agropecuárias, atividade comum no currículo de qualquer banda grande de rock hoje em dia. ?Tocavam grupos de forró, sertanejo e nós. Lembre que estamos falando de 1983?, aponta Gasperini. Os músicos do Rádio Taxi encaram a volta da banda como algo natural. ?Nossa história foi cortada de forma abrupta?, revela Gasperini. ?Naquela época não existia o conceito de empresário, alguém que pudesse tocar nossa carreira.? Hoje, Taffo é dono de uma bem-sucedida escola de música (o IGT), Maurício continua seu projeto com seu irmão (o antigo Mano a Mano) e Lee é um dos titulares dos Titãs. ?Estamos voltando pelo prazer de tocar, paramos na hora errada?, deixa claro o vocalista. O DVD traz todos os sucessos do Rádio Taxi tocados em cima do palco e o novo disco deve retomar a história do grupo do momento em que pararam. ?Fizemos um show no Moinho Santo Antonio para 6 mil pessoas. Foi surpreendente. Você via adolescentes e casais abraçados chorando?, se derrete Taffo.

Agencia Estado,

11 de julho de 2006 | 10h17

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